quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Reino Encantado

Flórida. Walt Disney World. Millennium Village. Um Pavilhão especialmente criado no Epcot Center para comemorar a passagem do Milênio. Pela primeira vez no parque e somente por alguns meses, quase 50 países seriam representados, mostrando um pouco de suas respectivas culturas e histórias.

O Brasil, com apoio da Embratur, tinha uma das maiores áreas dentro do Pavilhão e era localizado logo na entrada. À nossa frente, tínhamos a área da Escócia, ao nosso lado, a Arábia Saudita, seguida pela Suécia e outros países. Mais adiante a área de Israel. Para surpresa de alguns, uma das poucas vezes em que árabes e israelenses dividiram o mesmo espaço sem nenhuma conotação política, religiosa ou de conflito.

Nossa chegada por lá foi ótima. Morávamos todos em um condomínio especialmente criado para funcionários da Disney, ou seja, o convívio com todos chegava a ser ininterrupto. Difícil explicar o impacto que esses meses por lá tiveram na minha vida. Éramos 4 dividindo o apartamento: minha roommate japonesa que cozinhava arroz para uma refeição completa no café da manhã. Orit, isralenese, que me fascinava com estórias sobre o período que passou no exército (não sei se todos sabem, mas em Israel, antes de começar a faculdade, homens e mulheres passam um tempo servindo o exército) e Tuna , norueguesa, que trazia um pouco da disciplina e organização dos países nórdicos.

Éramos, considerando todos os países, quase 200 pessoas. Ficamos mais de um mês em treinamento. E, foi nesse período que conheci Ibrahem. Em uma fila, trocamos algumas palavras, mas fomos ficar juntos, pela primeira vez, 2 semanas depois. No último dia 07 de Setembro, completaram-se 10 anos! Até chegarmos aqui foram muitas idas e vindas, muitas incertezas, muitas certezas, encontros, desencontros, enfim, o pacote completo.

Naquela época, Ibra ainda cursava Engenharia em uma Universidade na Califórnia. Morava nos EUA já há algum tempo, perto de San Francisco. Para nós dois e todos que estavam ali, era algo temporário. Acho que, tanto eu quanto ele, não começamos o relacionamento com muitas expectativas. Inicialmente, o fato de ele ser saudita não interferiu em nada. Álias, sinceramente, eu nem sabia muito sobre essa cultura.

Aos poucos, comecei a sentir que não seria tão fácil assim dizer "tchau, prazer em conhecer". Ao mesmo tempo, eu sabia muito pouco sobre como o "pequeno" detalhe da nacionalidade dele poderia ser, na realidade, o grande desafio desse relacionamento.

Nenhum comentário:

 
Add to Technorati Favorites