A vida ia seguindo na Bahia: muito trabalho e pouca sombra e água fresca. Morávamos juntas, eu, Vanessa e Jú. Definitivamente, uma das melhores lembranças que tenho são do tempo aonde nós três estávamos sempre juntas. Trabalhávamos no mesmo lugar, passávamos por experiências parecidas ao mesmo tempo, dividíamos as tristezas, inseguranças, alegrias e éramos a família que estava longe.
No lado pessoal, cometi erros e acertos. Fui magoada e magoei, mesmo sem ter a menor intenção. Coisas da vida. Profissionalmente, tudo ia muito bem. Em Novembro de 2000, logo após nos mudarmos para a Bahia, Ibra, junto com um amigo, foi nos visitar. Essa viagem foi uma verdadeira catástrofe! Eu trabalhando muito, já não sabendo se queria dar continuidade àquele relacionamento, o Ibra cheio de expectativas, é óbvio, não entendendo nada e eu, por algum motivo muito incomum à minha pessoa, não conseguia verbalizar tudo o que estava sentindo. Sim, porque quem me conhece bem sabe que falar sobre sentimentos nunca fui um problema para mim. Pelo contrário, o difícil sempre foi saber a hora de ficar calada!
No dia de retornar aos Estados Unidos, foi o Ibra fechar a porta do apartamento que eu comecei a chorar copiosamente. Era um choro por mim, por ele e pelo fato de eu sentir que a "tal" pessoa estava saindo da minha vida. Eu, por vários motivos, tinha deixado ele, literalmente, partir. Dali em diante, nos falaríamos de vez em quando por telefone, mas já não era como antes.
Setembro de 2001. Quando fiquei sabendo sobre o atentado às torres gêmeas, claro, como todo mundo, entrei em choque. Ia acompanhando pela televisão o desenrolar de algo muito brutal e além de qualquer compreensão. O choque maior veio quando informaram que a maioria das pessoas envolvidas eram Sauditas. Naquele momento, pensei no Ibra e em como a vida dele e de milhares seria afetada nos Estados Unidos.
Até hoje, tem uma corrente grande de pessoas que questionam se o que sabemos sobre esse atentado é verdadeiro. Há várias teses que defendem o governo americano por trás desse episódio. Eu, particularmente, vejo inconsistências no que nos é apresentado como verdade, mas, talvez, por inocência, não quero acreditar que um governo possa fazer isso com seu povo, apesar de a História já ter nos mostrado que ambição e poder afloram um lado muito negro nas pessoas. Independente dessa polêmica, a vida de milhares de pessoas sofreu uma transformação drástica, do dia para a noite. Penso nas famílias que perderam entes queridos e não consigo elaborar uma maneira de se lidar com uma perda como essa. Penso, também, na vida de pessoas inocentes que, por sua nacionalidade, religião e aparência carregarão um fardo por um bom tempo.
Como imaginado, vários estrangeiros viram suas vidas devassadas e devastadas pelo FBI e CIA. Aos poucos, o resto do mundo também começou a sentir o peso dos acontecimentos daquele dia.
Março de 2002. Depois de muitos altos e baixos durante a temporada de 1 ano e meio na Bahia, resolvi que era hora de voltar para casa. Tinha que pôr ordem na minha vida e, para fechar aquele ciclo, precisava encontrar, ao menos mais uma vez, com Ibrahem. Viajei para a Califórnia por 1 semana.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
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