1º Janeiro 2004. Lembro que estávamos a caminho de um shopping quando meu celular tocou. Do outro lado da linha, Ibrahem desejava Feliz Ano Novo e avisava que, dali a 3 meses, estava indo ao Brasil. Iria viajar com umas amigas que temos em comum, a Caru e a Tina, e aproveitar para passar o Carnaval em terras tupiniquins. Na hora, não senti nada. Quer dizer, sendo bem honesta, pensei que, mesmo se tivesse algum outro programa para o Carnaval, por questão de respeito, teria que cancelar e, se me recordo bem, não fiquei muito feliz com tal perspectiva.
Nessa época, ainda morava com meus pais, mas passava alguns dias em meu apartamento e lá seria o local de hospedagem do ilustre visitante.
Acho que pela correria do trabalho, não pensava muito no assunto. Somente alguns dias antes de ele chegar é que comecei a me dar conta de que, de alguma maneira, Ibra estava entrando novamente na minha vida e aquilo me assustava um pouco.Eu queria mudanças, mas em nenhum momento considerei ele em meus planos. Já tinha me conformado que Ibra seria como aquelas lembranças boas que permanecem conosco, mas que, por algum motivo, não são ou não podem ser mais que isso.
A chegada dele foi tranquila. Parecia que o tempo tinha parado, que nada tinha mudado. Era ótimo ter ele por perto. Comecei, enfim, a achar que teríamos belos dias pela frente, mas ainda sem nenhumas expectativas. Ibra passou vários dias viajando com Tina e Caru, indo de carro de São Paulo até algumas cidades de Santa Catarina. Foi durante esses dias que comecei a sentir falta da presença dele. Não sabia direito o que era, só sabia que contava os dias para que ele voltasse.
Sabe quando "descobrimos" algo que parecia estar sempre à nossa frente? Ficamos tão ansiosos que parece que não podemos esperar um minuto. E comigo não foi diferente.
No Carnaval, um dos grande amigos do Ibra, dos tempos da Faculdade nos EUA, se juntou a nós. Foi um Carnaval diferente do "comum" para turistas. Passamos em São Luiz de Paraitinga, um dos poucos lugares aonde o Carnaval ainda é tradicional com marchinhas de rua. Ao final de alguns dias, eu comecei a pensar o que seria dali em diante. Sem dúvidas, a distância Brasil-Arábia Saudita é bem diferente que Brasil-Estados Unidos, mas não era só isso, havia um outro probleminha. Depois de tantos anos, Ibra achava que não teria a energia necessária para levar aquilo adiante. Não fazia muito tempo que ele havia mudado para a Arábia, portanto não pretendia sair de lá tão rápido. Chegamos, mais uma vez, em uma encruzilhada. Além de tudo, Ibra sentia que anteriormente esteve muito aberto ao relacionamento e eu não fiz as mudanças que eram necessárias para termos algum futuro juntos. E ele estava certo.
Sentia que tinha chegado a hora de tomar uma decisão que seria, enfim, definitiva,. Era hora, também, de entender bem melhor o Oriente Médio.
sábado, 19 de setembro de 2009
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