quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cenas de vários Capítulos - PARTE II

Os questionamentos não eram em relação ao sentimento, pois essa era a única parte da qual eu tinha absoluta certeza. Eram mais de cunho prático mesmo: começar uma vida a dois tão jovem, longe de minha família e de meus amigos, sem um histórico ou estabilidade na carreira e sem contar que, na minha cabeça, o ideal e perfeito estava atrelado à já mencionada"cartilha": mocinha encontra mocinho, se apaixonam, mocinha conhece família do mocinho, todos se dão bem, filhos virão, almoço de Domingo na casa dos pais, etc...

Qualquer relacionamento requer uma energia tremenda de ambas as partes para funcionar. Eu piamente acredito nisso, incluindo amizades. Agora, imagina um relacionamento com um estrangeiro. A energia precisa ser dobrada por vários motivos, dentre eles o fato de que não há nenhum histórico comum entre vocês. As músicas, lugares e pessoas que marcaram e são referências para gerações no seu país podem representar nada para a outra pessoa, além do aspecto cultural em si. Resumindo: às vezes, a impressão que dá é que você tem que pegar parte do que você viveu e algumas de suas referências e deixar de lado por um tempo. Não ignorar, mas ter paciência para saber a hora de introduzí-las. Impossível fazer tudo de uma só vez, requer tempo e paciência. Independentemente de nacionalidade.

Naquela época, eu não tinha essa tal paciência e achava que o tempo seria melhor aproveitado se focado na minha carreira. Alguns anos depois, não muitos, eu olharia para trás e questionaria se tinha tomado a decisão certa, mas, naquele momento eu segui o que achei melhor para mim.
Ibra voltou ao Estados Unidos, não rompemos, mas não fizemos planos para o futuro. Eu decidi que iria passar um tempo na Bahia, trabalhando na Costa do Sauípe. Foi aí que entrei em um dos períodos mais confusos de minha vida. Profissionalmente, uma experiência incrível. Trabalhamos na abertura de 2 hotéis de uma rede internacional, começamos do zero, o que significava 12 horas mínimas de trabalho, mas que valeram a pena quando as luzes foram finalmente acesas e os hóspedes começaram a chegar.

A Jú também foi, além da Vanessa, amiga dos tempos de Disney. Elas eram a minha referência por lá, mas, mesmo assim, no lado pessoal, as coisas tomaram um rumo ao qual eu parecia não conseguir controlar. A tal da solidão bateu forte e eu, literalmente, deixei a vida me levar.

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