domingo, 8 de novembro de 2009

POR AQUI. . .



A Arábia Saudita começa a se preparar para receber os milhares de visitantes esperados para realizar o Haj no fim deste mês. A preocupação maior é com a grande concentração de pessoas e a possível propagação do vírus da nova gripe.
Realizar o Haj é um dos cinco pilares do Islamismo.  Os muçulmanos que estiverem bem de saúde e com condições financeiras, devem, ao menos uma vez na vida, visitar Meca para a realização do Haj (há todo um ritual a ser seguido quando em Meca.  Mais para frente, explico melhor).

São esperados mais de 2 milhões e meio de pessoas.  Ontem o Ministro da Saúde saudita, junto com sua família, incluindo sua filha pequena, tomou a primeira dose da vacina da nova gripe.  O momento foi transmitido ao vivo pelas TVs da região e será também exibido em outros países muçulmanos com o intuito de estimular as pessoas a se vacinarem.
Diante de alguns acidentes de esmagamento que aconteceram no passado, já faz alguns anos que o governo saudita determina cotas estipulando o número de pessoas que podem vir de outros países para o Haj.  Desta maneira, há a possibilidade de se controlar quantas pessoas estarão em Meca durante os 3 dias que duram o Haj.
Neste ano, estipulou-se também ser da responsabilidade do governo de cada país dos muçulmanos visitantes o controle de vacinas a serem dadas.  O governo do Marrocos já decidiu que os marroquinos com destino à Arábia Saudita receberão uma dose da vacina  no portão de embarque no aeroporto.

Há campanhas por todos os lados e nos supermercados e farmácias é claro o quanto as vendas de gel, lenços umidecidos e sprays anti-bacterial crescem à cada dia.  Também vemos crianças e adultos fazendo uso de máscaras.  O inverno está chegando por aqui e a preocupação é muito maior.

Para pensar

Esses dias, zapeando pelos canais de TV, acabei assistindo a documentários bem interessantes. O primeiro, na Polinésia Francesa (Tahiti e a tão famosa ilha de Bora Bora são referências), mostrou um pouco dos costumes de la. O que mais me chamou a atenção foi que até um tempo atrás, o primeiro filho de uma família, independente do sexo, era criado como mulher.

No programa entrevistaram alguns deles. A maioria na faixa de uns 30 ano, muito bem apessoados, com trejeitos bem femininos e cientes de seu papel na sociedade. Por serem primogênitos, esses homens, chamados "homens afeminados", são os responsáveis por cuidar da casa e da mãe.
Por ser um costume cultural, a sociedade sempre os aceitou, mas, hoje em dia, tal prática já não é comum.





Já no documentário "Daughters from Danang", o programa seguiu por alguns anos e mostrou a vida de uma vietnamita naturalizada americana. Durante a Guerra do Vietnã, os Estados Unidos , pessionado pelas Organizações de Direitos Humanos e diante da grande devastação causada no Vietnã, lançou uma campanha para que bebês vietnamitas órfãos fossem adotados por família americanas.
Parecia uma ação muito nobre, mas, segundo o documentário, há uns anos, descobriu-se que, na realidade, grande parte dos bebês tinham, na época, pais vivos e muito bem de saúde.Inclusive vemos imagens de pais chorando ao terem seus bebês levados pelos americanos. Aparentemente, o governo lançou a campanha tendo em vista satisfazer a pressão internacional que criticava as ações americanas, além de ser uma maneira de levantar mais fundos para a guerra. O governo americano justificava que o dinheiro angariado seria dado às famílias americanas que adotassem os bebês, como uma forma de apoio, mas, na realidade, grande parte do dinheiro foi usado em benefício da própria guerra.


A tão famosa foto - crianças e a Guerra no Vietnã

No documentário vemos a vida de Heidi, uma mulher na faixa de uns 40 anos, adotada por uma família americana quando tinha 9 anos. Ela ainda lembrava da vida no Vietnã e dos horrores da guerra e sonhava em encontrar a mãe biológica e os irmãos.
Através de de uma Organização e de algumas coincidências, ela, depois de uns anos, conseguiu encontrar a família e embarcou para o Vietnã. Dali em diante, acompanhamos as reviravoltas de sentimentos e desejos que ela tem.

Na chegada está toda animada, sentindo que sempre amou a mãe e sempre foi amada. O re-encontro, diz ela, "fez com que me sentisse completa". Após alguns dias, acompanhamos o quanto a pobreza e a simplicidade da família vietnamita começa a afetá-la. Sua estadia foi de 1 semana e após o terceiro dia, ela já sentia que não pertencia aquele mundo e não conseguia imaginar-se ali. Esperava ansiosamente a hora de ir embora.
Próximo à sua partida, a família se reuniu e com um tradutor explicou que precisavam de ajuda financeira para cuidar da mãe. Afinal, ela, americana, vinha de um mundo considerado cheio de luxo, dinheiro e oportunidades.A protagonista do documentário desaba em lágrimas. Sente-se usada e, ao mesmo tempo, culpada por ter que dizer não. Ela não sentia nenhum laço com aquelas pessoas.
Um contraste e confronto de culturas – na maioria das sociedades orientais, os filhos são ressponsáveis pelos pais, principalmente financeiramente. Hoje em dia, em alguns lugares, isso já está mudando, mas no geral, é o que prevalece.
Para uma americana, tal conceito é inexistente. Na sociedade americana, normalmente os filhos só cuidarão dos pais se eles estiverem doentes, já no fim da vida. Na cultura americana, os filhos internarão os pais em casas de repouso, algumas com muito luxo e, não necessariamente, a convivência com os pais será intensa.
A família vietnamita não conseguia entender a razão da americana se sentir tão ofendida. A americana, por sua vez, sentiu-se usada.


Heidi reencontrando sua mãe no Vietnã
(foto site documentário)


Há uma passagem de tempo de 2 anos. A família vietnamita continua na miséria e desejando o retorno daquela filha-irmã. Através de um tradutor, mandam cartas para os Estados Unidos. Heidi mostra uma pilha de cartas em cima de uma mesa e confessa não ter coragem de abrí-las. Em quase todas, diz, há pedidos de dinheiro. Ela ainda sofre com o que viu no Vietnã. Tenta a todo custo esquecer e lamenta o fato de algum dia ter questionado o quanto sua vida, sua história e seu passado estão totalmente nos Estados Unidos. Em comum, vemos nos rostos um sofrimento, uma solidão.
Quem quiser saber mais, passa por aqui .O site sozinho já é interessante.


Desde então, tenho pensado nisso. . . A guerra, a política, a pobreza, o amor, a separação, instinto de sobrevivência, elo entre famílias, costumes, culturas, mas, acima de tudo, como nós, seres humanos, não temos respostas para muita, muita coisa e está longe de sermos esses seres evoluídos que alguns acreditam que somos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Viajando - Petra, Jordânia

Decidimos ir para Petra de carro. Não necessariamente a escolha mais apropriada quando se tem um bebê. A viagem entre o Mar Morto e Petra até que não é longa, mas o caminho nas montanhas cheio de curvas sob um sol forte pode fazer com que a viagem não seja tão tranquila.


Basicamente é essa a paisagem até Petra
Muita montanha e areia por todos os lados





Árabe beduíno (nome dado à quem vive no deserto)
conduzindo seus carneiros em plena estrada a
caminho de Petra




Camelo descansando às margens da estrada - a caminho de Petra


Petra é conhecida como a cidade escondida por trás das montanhas. Foi construída pela civilização conhecida como os Nabataens, um grupo de árabes, na época considerados bem industrializados, que se estabeleram ao sul de Amman (capital da Jordânia) há mais de 2000 anos. A cidade permaneceu "perdida" por uns 300 anos, sendo descoberta novamente em 1812.

O lugar em si é belíssimo! A cidade foi toda construída nas montanhas. A atenção aos detalhes é algo de deixar qualquer um intrigado. Nas montanhas conseguimos ainda ver a arquitetura da época e entender um pouco como eles viviam.
Há cerca de 800 monumentos espalhados por Petra. Pelos monumentos, é fácil perceber uma influência egípcia, grega e romana. A cidade foi conquistada pelos romanos e, muitos acreditam, depois de um curto tempo, abandonada.


Cada um desses pontos representa um monumento.  O mapa foi tirado daqui, aonde também estão explicados  o que cada ponto representa.


Monumentos referentes ao ponto #1 no mapa. Dá para ver
o trabalho de escultura nas montanhas na área de entrada
de cada monumento. A área interna, claro, nem lembra
em nada o calor do lado de fora

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o caminho aberto nas montanhas por quase toda a extensão da cidade para que a água da chuva fosse armazenada e pudesse ser usada.


Ponto #3 do mapa. O vale tem pouco mais de
1km e leva da entrada da cidade a um dos
monumentos mais importantes de Petra

Na foto de cima, à esquerda, próximo ao chão, podemos ver o caminho aberto nas montanhas para que a água da chuva fosse armazenada.






É bom ir preparado para andar muito, pois a área é grande. Existe uma parte da cidade construída no topo de montanhas, com acesso nem sempre fácil. Vê-se gente do mundo todo, principalmente europeus. É muito comum ver franceses com seus traillers de viagem acampando por lá. Dizem ser necessário 3 dias para visitar e ver cada lugarzinho de Petra.


Quem preferir pode fazer o trajeto a cavalo ou em charretes.
Beduínos da região conduzem ambos. Não deixa de ser uma
aventura passar pelo Vale a bordo da charrete, já que os
cavalos chegam a galopar. Para quem gosta de chacoalhar
um pouco, imperdível!



The Treasury
Monumento mais famoso e importante de Petra.

Acho que a foto não faz justiça ao monumento. É algo magnífico! Cada detalhe de arquitetura! No link lá de cima, em inglês, você consegue saber um pouco mais sobre o monumento.
Logo que o Vale acaba é primeira coisa que vemos. O monumento é imponente e com uma localização bem estratégica.



Área próxima ao The Treasury. Á esquerda, de alguma maneira,
conseguimos ver que há monumentos. Subindo a montanha,
chega-se à outras áreas de Petra



Construção feita no subsolo do The Treasury. À esquerda dá
para ver construção de escadas permitindo acesso.
A construção foi feita em frente ao The Treasury, aparentemente
para garantir essa abertura e acesso à luz natural.


Isso é só um pedacinho de Petra. Não é de se duvidar que seja uma das 7 novas maravilhas do Mundo. Não sei a opinião de vocês, mas para mim o que é maravilhoso no Cristo Redentor é a vista e não o Cristo em si, afinal, é somente um monumento que foi construído e dado de presente. Já a vista é algo espetacular!

Petra, por outro lado, é espetacular por si só! A história das civilizações que passaram por lá já é de fazer qualquer um querer viajar no tempo (para os que gostam de história) .



Pôr do sol - Montanhas de Petra

Enfim

Como falei, depois de 1 mês, F. deu sinal de vida. E aí entra "aquelas viradas de destino". Ela decidiu que não iria voltar ao Marrocos, independentemente do que acontecesse. Decidiu tomar alguns riscos e apostar na sorte.


Não apareceu no aeroporto no dia combinado, ficou na casa de uns amigos por umas 2 semanas. Em Dubai há todos os tipos de casa noturna com músicas para todos os gostos e F. aproveitava bem todas as baladas. Em uma noite conheceu um homem mais velho e, claro, cheio da grana. Começaram a sair e depois de 10 dias sua vida já voltava à uma certa normalidade, ou melhor dizendo, sua vida estava até melhor que antes.

O novo parceiro era tão influente que intercedeu junto ao Hotel, conseguiu pegar o passaporte de F., arrumou para ela um emprego em um renomado banco (praticamente deu um jeito de sua ficha suja ser ignorada) e abriu as portas de sua casa. F. passou a morar em uma mini-mansão em Dubai, com todas as contas pagas e mordomias mil.

Fiquei eu pensando "Ri melhor quem ri por último", "Um dia é da caça, outro do caçador" ou "Amor é bom, mas melhor ainda é ter prosperidade na vida"?

domingo, 25 de outubro de 2009

Vai e vem


Hoje já é um pouco diferente em Dubai, mas na época de F., as empresas não só eram as responsáveis pelo visto de trabalho, mas também, pelos atos de seus funcionários no Emirado. Naquela época, também, ao serem demitidos, os funcionários deveriam deixar o Emirado e só podiam retornar com um novo emprego (consequentemente, novo visto de trabalho) dali 6 meses. Atualmente jã não há mais essa necessidade de sair do país entre um emprego e outro, mesmo que haja demissão.

Por causa da responsabilidade das empresas em relação aos funcionários, essa saída do país sempre foi levada muito à sério. Somente com o carimbo de saída da Imigração é que as empresas poderiam "dar baixa" no visto e em todo o resto. Entenda-se por todo o resto: conta de banco, empréstimos em banco, carta de suporte financeiro (algo como a empresa sendo uma fiadora), etc. Um estrangeiro só é considerado um cidadão em Dubai e na maioria dos países do Golfo ao ter o respaldo de uma empresa, portanto, desde se obter uma Carta de Motorista até um financiamento, é exigido uma carta da empresa. Ao deixar o país, o funcionário precisa estar em dia com todas as pendências jurídicas e financeiras. Caso o funcionário esteja com financiamento a ser pago, o valor correspondente é descontado pela empresa no acerto final e repassado ao Banco em questão.

Como se vê, não é um processo muito simples do tipo: embarca e pronto! Na época de F., para ter mais garantias de que o processo seria completo, a empresa, inclusive, se responsabilizava pelo transporte do condomínio aonde o funcionário morava até o aeroporto. Lá já havia um funcionário da empresa com o respectivo passaporte, instruído a certificar-se de que o avião alçou vôo sem deixar ninguém para trás.

Eu já escutei estórias praticamente tiradas de filmes. Indianos e pessoas de outras nacionalidades, cuja a presença em Dubai é a única possibilidade de uma vida um pouquinho melhor, tentarem a todo custo escapar dessa volta ao país de origem, com direito à idas ao banheiro, uma disfarçadinha aqui, outra ali e tentativa de correr pelos saguões do aeroporto. Muitos conseguem escapar. Tornam-se fugitivos e procurados pelas autoridades.






Fotos Dubai Airport - Área de Embarque

Ainda na semana do episódio da Delegacia, o Departamento de Recursos Humanos nos informou que F. havia sumido. Ela não tinha mais sido vista desde àquela noite aonde nos despedimos. Entre os funcionários, havia muito burburinho, mas ninguém sabia nada com exatidão. O passaporte dela ainda esta nas mãos de RH. Ela foi um No Show no dia em que deveria ter embarcado de volta ao Marrocos. A única coisa que todos sabíamos com certeza é que ela ainda estava em Dubai, provavelmente com lenço (já que tinha levado suas malas), mas sem documento.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Por fora bela viola, por dentro... - Parte II


Depois de umas belas horas na Delegacia, F. foi formalmente acusada de ter pegado o dinheiro. Ela chorava copiosamente e negava. O lance é que em Dubai e nos Países do Golfo, qualquer delito é considerado muito sério. O sistema judiciário varia de país para país e eu não estou ainda muito por dentro dos detalhes. Já li muita gente reclamando que o sistema não é nada justo (principalmente estrangeiros que cometem delitos que não cometeriam em seus países de origem e recebem condenações mais pesadas por aqui. Já ouvi muita gente dizer que a defesa da pessoa tem um peso irrisório no processo) e também já escutei que, pelo fato de uma condenação ser levada bem a sério, o número de delitos é relativamente baixo.

O que sei é que F. teve a opção de fazer algumas ligações e poderia ter chamado um advogado. Ela decidiu ligar para um amigo e acabou aceitando e assinando o termo de culpa. Roubar é considerado um crime sério por aqui. Se o Hotel quisesse, F. poderia amargar um belo tempo na cadeia em Dubai, mas foi decidido que o melhor seria demití-la e deportá-la para o Marrocos.

Quando algo assim acontece, a pessoa tem de 2 a 3 dias para organizar sua vida para a viagem de volta  ao seu páis e, dependendo das acusações, não poderá retornar por até 6 meses ao Emirado. Alguns são banidos totalmente. No caso de F., como de muitos outros, a empresa tinha posse de seu passaporte (exatamente para garantir um controle sobre o ir e vir das pessoas). O passaporte dela só seria devolvido na área de embarque do aeroporto, não deixando dúvidas de que ela embarcaria.

A vida dela virou de pernas para o ar em questões de horas. Eu sentia pelo fato de saber o quão difícil era a vida da maioria de nossos funcionários. Voltamos ao hotel lá pela meia-noite. Já era hora da boa camarada brasileira se despedir. De normal, aquele dia teve nada.

Agora que a vida dá voltas e surpreende, não há duvidas. Recebi um telefonema de F. mais de 1 mês depois daquele ocorrido e o final ainda iria me surpreender...e muito!

POR AÍ...


Hoje li que Miley Cyrus, a adolescente que é adorada por milhares de outros adolescentes e interpreta Hanna Montana (tenho que admitir que eu mesma nunca vi e não acho que esteja perdendo muita coisa) arranjou mais uma forma de explorar seus fãs fazer dinheiro.

Até há umas 2 semanas, qualquer um poderia acessar sua página no Twitter e acompanhar a vida de Miley. Ela tinha mais de 2 milhões de pessoas a seguindo. Um belo dia resolveu fechar sua conta alegando que o novo namorado havia pedido.

E a grande surpresa veio: Miley começou a atualizar o blog que mantém em seu site e...resolveu cobrar mensalidade de U$29.95 por ano para que seus fãs tenham acesso ao blog MileyWorld.

Estou até agora tentando por alguma coerência nessa estória. A única conclusão à que cheguei foi:  digamos que,  por baixo,  se 1/4 das pessoas que a seguiam no Twitter, resolverem continuar lendo sobre seu dia-a-dia, ela estará embolsando por ano U$14,975.000,00 só com o blog!

Não tenho idéia sobre o que essa mocinha posta, já que não sou membro de seu "programa de fidelidade" e não tenho acesso. Não sei se o que ela escreve afeta positivamente ou negativamente os adolescentes de hoje que já são tão influenciáveis. O que eu sei, com certeza, é quanto o bolso de muito pai por aí vai ser afetado.
 
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