domingo, 8 de novembro de 2009

POR AQUI. . .



A Arábia Saudita começa a se preparar para receber os milhares de visitantes esperados para realizar o Haj no fim deste mês. A preocupação maior é com a grande concentração de pessoas e a possível propagação do vírus da nova gripe.
Realizar o Haj é um dos cinco pilares do Islamismo.  Os muçulmanos que estiverem bem de saúde e com condições financeiras, devem, ao menos uma vez na vida, visitar Meca para a realização do Haj (há todo um ritual a ser seguido quando em Meca.  Mais para frente, explico melhor).

São esperados mais de 2 milhões e meio de pessoas.  Ontem o Ministro da Saúde saudita, junto com sua família, incluindo sua filha pequena, tomou a primeira dose da vacina da nova gripe.  O momento foi transmitido ao vivo pelas TVs da região e será também exibido em outros países muçulmanos com o intuito de estimular as pessoas a se vacinarem.
Diante de alguns acidentes de esmagamento que aconteceram no passado, já faz alguns anos que o governo saudita determina cotas estipulando o número de pessoas que podem vir de outros países para o Haj.  Desta maneira, há a possibilidade de se controlar quantas pessoas estarão em Meca durante os 3 dias que duram o Haj.
Neste ano, estipulou-se também ser da responsabilidade do governo de cada país dos muçulmanos visitantes o controle de vacinas a serem dadas.  O governo do Marrocos já decidiu que os marroquinos com destino à Arábia Saudita receberão uma dose da vacina  no portão de embarque no aeroporto.

Há campanhas por todos os lados e nos supermercados e farmácias é claro o quanto as vendas de gel, lenços umidecidos e sprays anti-bacterial crescem à cada dia.  Também vemos crianças e adultos fazendo uso de máscaras.  O inverno está chegando por aqui e a preocupação é muito maior.

Para pensar

Esses dias, zapeando pelos canais de TV, acabei assistindo a documentários bem interessantes. O primeiro, na Polinésia Francesa (Tahiti e a tão famosa ilha de Bora Bora são referências), mostrou um pouco dos costumes de la. O que mais me chamou a atenção foi que até um tempo atrás, o primeiro filho de uma família, independente do sexo, era criado como mulher.

No programa entrevistaram alguns deles. A maioria na faixa de uns 30 ano, muito bem apessoados, com trejeitos bem femininos e cientes de seu papel na sociedade. Por serem primogênitos, esses homens, chamados "homens afeminados", são os responsáveis por cuidar da casa e da mãe.
Por ser um costume cultural, a sociedade sempre os aceitou, mas, hoje em dia, tal prática já não é comum.





Já no documentário "Daughters from Danang", o programa seguiu por alguns anos e mostrou a vida de uma vietnamita naturalizada americana. Durante a Guerra do Vietnã, os Estados Unidos , pessionado pelas Organizações de Direitos Humanos e diante da grande devastação causada no Vietnã, lançou uma campanha para que bebês vietnamitas órfãos fossem adotados por família americanas.
Parecia uma ação muito nobre, mas, segundo o documentário, há uns anos, descobriu-se que, na realidade, grande parte dos bebês tinham, na época, pais vivos e muito bem de saúde.Inclusive vemos imagens de pais chorando ao terem seus bebês levados pelos americanos. Aparentemente, o governo lançou a campanha tendo em vista satisfazer a pressão internacional que criticava as ações americanas, além de ser uma maneira de levantar mais fundos para a guerra. O governo americano justificava que o dinheiro angariado seria dado às famílias americanas que adotassem os bebês, como uma forma de apoio, mas, na realidade, grande parte do dinheiro foi usado em benefício da própria guerra.


A tão famosa foto - crianças e a Guerra no Vietnã

No documentário vemos a vida de Heidi, uma mulher na faixa de uns 40 anos, adotada por uma família americana quando tinha 9 anos. Ela ainda lembrava da vida no Vietnã e dos horrores da guerra e sonhava em encontrar a mãe biológica e os irmãos.
Através de de uma Organização e de algumas coincidências, ela, depois de uns anos, conseguiu encontrar a família e embarcou para o Vietnã. Dali em diante, acompanhamos as reviravoltas de sentimentos e desejos que ela tem.

Na chegada está toda animada, sentindo que sempre amou a mãe e sempre foi amada. O re-encontro, diz ela, "fez com que me sentisse completa". Após alguns dias, acompanhamos o quanto a pobreza e a simplicidade da família vietnamita começa a afetá-la. Sua estadia foi de 1 semana e após o terceiro dia, ela já sentia que não pertencia aquele mundo e não conseguia imaginar-se ali. Esperava ansiosamente a hora de ir embora.
Próximo à sua partida, a família se reuniu e com um tradutor explicou que precisavam de ajuda financeira para cuidar da mãe. Afinal, ela, americana, vinha de um mundo considerado cheio de luxo, dinheiro e oportunidades.A protagonista do documentário desaba em lágrimas. Sente-se usada e, ao mesmo tempo, culpada por ter que dizer não. Ela não sentia nenhum laço com aquelas pessoas.
Um contraste e confronto de culturas – na maioria das sociedades orientais, os filhos são ressponsáveis pelos pais, principalmente financeiramente. Hoje em dia, em alguns lugares, isso já está mudando, mas no geral, é o que prevalece.
Para uma americana, tal conceito é inexistente. Na sociedade americana, normalmente os filhos só cuidarão dos pais se eles estiverem doentes, já no fim da vida. Na cultura americana, os filhos internarão os pais em casas de repouso, algumas com muito luxo e, não necessariamente, a convivência com os pais será intensa.
A família vietnamita não conseguia entender a razão da americana se sentir tão ofendida. A americana, por sua vez, sentiu-se usada.


Heidi reencontrando sua mãe no Vietnã
(foto site documentário)


Há uma passagem de tempo de 2 anos. A família vietnamita continua na miséria e desejando o retorno daquela filha-irmã. Através de um tradutor, mandam cartas para os Estados Unidos. Heidi mostra uma pilha de cartas em cima de uma mesa e confessa não ter coragem de abrí-las. Em quase todas, diz, há pedidos de dinheiro. Ela ainda sofre com o que viu no Vietnã. Tenta a todo custo esquecer e lamenta o fato de algum dia ter questionado o quanto sua vida, sua história e seu passado estão totalmente nos Estados Unidos. Em comum, vemos nos rostos um sofrimento, uma solidão.
Quem quiser saber mais, passa por aqui .O site sozinho já é interessante.


Desde então, tenho pensado nisso. . . A guerra, a política, a pobreza, o amor, a separação, instinto de sobrevivência, elo entre famílias, costumes, culturas, mas, acima de tudo, como nós, seres humanos, não temos respostas para muita, muita coisa e está longe de sermos esses seres evoluídos que alguns acreditam que somos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Viajando - Petra, Jordânia

Decidimos ir para Petra de carro. Não necessariamente a escolha mais apropriada quando se tem um bebê. A viagem entre o Mar Morto e Petra até que não é longa, mas o caminho nas montanhas cheio de curvas sob um sol forte pode fazer com que a viagem não seja tão tranquila.


Basicamente é essa a paisagem até Petra
Muita montanha e areia por todos os lados





Árabe beduíno (nome dado à quem vive no deserto)
conduzindo seus carneiros em plena estrada a
caminho de Petra




Camelo descansando às margens da estrada - a caminho de Petra


Petra é conhecida como a cidade escondida por trás das montanhas. Foi construída pela civilização conhecida como os Nabataens, um grupo de árabes, na época considerados bem industrializados, que se estabeleram ao sul de Amman (capital da Jordânia) há mais de 2000 anos. A cidade permaneceu "perdida" por uns 300 anos, sendo descoberta novamente em 1812.

O lugar em si é belíssimo! A cidade foi toda construída nas montanhas. A atenção aos detalhes é algo de deixar qualquer um intrigado. Nas montanhas conseguimos ainda ver a arquitetura da época e entender um pouco como eles viviam.
Há cerca de 800 monumentos espalhados por Petra. Pelos monumentos, é fácil perceber uma influência egípcia, grega e romana. A cidade foi conquistada pelos romanos e, muitos acreditam, depois de um curto tempo, abandonada.


Cada um desses pontos representa um monumento.  O mapa foi tirado daqui, aonde também estão explicados  o que cada ponto representa.


Monumentos referentes ao ponto #1 no mapa. Dá para ver
o trabalho de escultura nas montanhas na área de entrada
de cada monumento. A área interna, claro, nem lembra
em nada o calor do lado de fora

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o caminho aberto nas montanhas por quase toda a extensão da cidade para que a água da chuva fosse armazenada e pudesse ser usada.


Ponto #3 do mapa. O vale tem pouco mais de
1km e leva da entrada da cidade a um dos
monumentos mais importantes de Petra

Na foto de cima, à esquerda, próximo ao chão, podemos ver o caminho aberto nas montanhas para que a água da chuva fosse armazenada.






É bom ir preparado para andar muito, pois a área é grande. Existe uma parte da cidade construída no topo de montanhas, com acesso nem sempre fácil. Vê-se gente do mundo todo, principalmente europeus. É muito comum ver franceses com seus traillers de viagem acampando por lá. Dizem ser necessário 3 dias para visitar e ver cada lugarzinho de Petra.


Quem preferir pode fazer o trajeto a cavalo ou em charretes.
Beduínos da região conduzem ambos. Não deixa de ser uma
aventura passar pelo Vale a bordo da charrete, já que os
cavalos chegam a galopar. Para quem gosta de chacoalhar
um pouco, imperdível!



The Treasury
Monumento mais famoso e importante de Petra.

Acho que a foto não faz justiça ao monumento. É algo magnífico! Cada detalhe de arquitetura! No link lá de cima, em inglês, você consegue saber um pouco mais sobre o monumento.
Logo que o Vale acaba é primeira coisa que vemos. O monumento é imponente e com uma localização bem estratégica.



Área próxima ao The Treasury. Á esquerda, de alguma maneira,
conseguimos ver que há monumentos. Subindo a montanha,
chega-se à outras áreas de Petra



Construção feita no subsolo do The Treasury. À esquerda dá
para ver construção de escadas permitindo acesso.
A construção foi feita em frente ao The Treasury, aparentemente
para garantir essa abertura e acesso à luz natural.


Isso é só um pedacinho de Petra. Não é de se duvidar que seja uma das 7 novas maravilhas do Mundo. Não sei a opinião de vocês, mas para mim o que é maravilhoso no Cristo Redentor é a vista e não o Cristo em si, afinal, é somente um monumento que foi construído e dado de presente. Já a vista é algo espetacular!

Petra, por outro lado, é espetacular por si só! A história das civilizações que passaram por lá já é de fazer qualquer um querer viajar no tempo (para os que gostam de história) .



Pôr do sol - Montanhas de Petra

Enfim

Como falei, depois de 1 mês, F. deu sinal de vida. E aí entra "aquelas viradas de destino". Ela decidiu que não iria voltar ao Marrocos, independentemente do que acontecesse. Decidiu tomar alguns riscos e apostar na sorte.


Não apareceu no aeroporto no dia combinado, ficou na casa de uns amigos por umas 2 semanas. Em Dubai há todos os tipos de casa noturna com músicas para todos os gostos e F. aproveitava bem todas as baladas. Em uma noite conheceu um homem mais velho e, claro, cheio da grana. Começaram a sair e depois de 10 dias sua vida já voltava à uma certa normalidade, ou melhor dizendo, sua vida estava até melhor que antes.

O novo parceiro era tão influente que intercedeu junto ao Hotel, conseguiu pegar o passaporte de F., arrumou para ela um emprego em um renomado banco (praticamente deu um jeito de sua ficha suja ser ignorada) e abriu as portas de sua casa. F. passou a morar em uma mini-mansão em Dubai, com todas as contas pagas e mordomias mil.

Fiquei eu pensando "Ri melhor quem ri por último", "Um dia é da caça, outro do caçador" ou "Amor é bom, mas melhor ainda é ter prosperidade na vida"?

domingo, 25 de outubro de 2009

Vai e vem


Hoje já é um pouco diferente em Dubai, mas na época de F., as empresas não só eram as responsáveis pelo visto de trabalho, mas também, pelos atos de seus funcionários no Emirado. Naquela época, também, ao serem demitidos, os funcionários deveriam deixar o Emirado e só podiam retornar com um novo emprego (consequentemente, novo visto de trabalho) dali 6 meses. Atualmente jã não há mais essa necessidade de sair do país entre um emprego e outro, mesmo que haja demissão.

Por causa da responsabilidade das empresas em relação aos funcionários, essa saída do país sempre foi levada muito à sério. Somente com o carimbo de saída da Imigração é que as empresas poderiam "dar baixa" no visto e em todo o resto. Entenda-se por todo o resto: conta de banco, empréstimos em banco, carta de suporte financeiro (algo como a empresa sendo uma fiadora), etc. Um estrangeiro só é considerado um cidadão em Dubai e na maioria dos países do Golfo ao ter o respaldo de uma empresa, portanto, desde se obter uma Carta de Motorista até um financiamento, é exigido uma carta da empresa. Ao deixar o país, o funcionário precisa estar em dia com todas as pendências jurídicas e financeiras. Caso o funcionário esteja com financiamento a ser pago, o valor correspondente é descontado pela empresa no acerto final e repassado ao Banco em questão.

Como se vê, não é um processo muito simples do tipo: embarca e pronto! Na época de F., para ter mais garantias de que o processo seria completo, a empresa, inclusive, se responsabilizava pelo transporte do condomínio aonde o funcionário morava até o aeroporto. Lá já havia um funcionário da empresa com o respectivo passaporte, instruído a certificar-se de que o avião alçou vôo sem deixar ninguém para trás.

Eu já escutei estórias praticamente tiradas de filmes. Indianos e pessoas de outras nacionalidades, cuja a presença em Dubai é a única possibilidade de uma vida um pouquinho melhor, tentarem a todo custo escapar dessa volta ao país de origem, com direito à idas ao banheiro, uma disfarçadinha aqui, outra ali e tentativa de correr pelos saguões do aeroporto. Muitos conseguem escapar. Tornam-se fugitivos e procurados pelas autoridades.






Fotos Dubai Airport - Área de Embarque

Ainda na semana do episódio da Delegacia, o Departamento de Recursos Humanos nos informou que F. havia sumido. Ela não tinha mais sido vista desde àquela noite aonde nos despedimos. Entre os funcionários, havia muito burburinho, mas ninguém sabia nada com exatidão. O passaporte dela ainda esta nas mãos de RH. Ela foi um No Show no dia em que deveria ter embarcado de volta ao Marrocos. A única coisa que todos sabíamos com certeza é que ela ainda estava em Dubai, provavelmente com lenço (já que tinha levado suas malas), mas sem documento.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Por fora bela viola, por dentro... - Parte II


Depois de umas belas horas na Delegacia, F. foi formalmente acusada de ter pegado o dinheiro. Ela chorava copiosamente e negava. O lance é que em Dubai e nos Países do Golfo, qualquer delito é considerado muito sério. O sistema judiciário varia de país para país e eu não estou ainda muito por dentro dos detalhes. Já li muita gente reclamando que o sistema não é nada justo (principalmente estrangeiros que cometem delitos que não cometeriam em seus países de origem e recebem condenações mais pesadas por aqui. Já ouvi muita gente dizer que a defesa da pessoa tem um peso irrisório no processo) e também já escutei que, pelo fato de uma condenação ser levada bem a sério, o número de delitos é relativamente baixo.

O que sei é que F. teve a opção de fazer algumas ligações e poderia ter chamado um advogado. Ela decidiu ligar para um amigo e acabou aceitando e assinando o termo de culpa. Roubar é considerado um crime sério por aqui. Se o Hotel quisesse, F. poderia amargar um belo tempo na cadeia em Dubai, mas foi decidido que o melhor seria demití-la e deportá-la para o Marrocos.

Quando algo assim acontece, a pessoa tem de 2 a 3 dias para organizar sua vida para a viagem de volta  ao seu páis e, dependendo das acusações, não poderá retornar por até 6 meses ao Emirado. Alguns são banidos totalmente. No caso de F., como de muitos outros, a empresa tinha posse de seu passaporte (exatamente para garantir um controle sobre o ir e vir das pessoas). O passaporte dela só seria devolvido na área de embarque do aeroporto, não deixando dúvidas de que ela embarcaria.

A vida dela virou de pernas para o ar em questões de horas. Eu sentia pelo fato de saber o quão difícil era a vida da maioria de nossos funcionários. Voltamos ao hotel lá pela meia-noite. Já era hora da boa camarada brasileira se despedir. De normal, aquele dia teve nada.

Agora que a vida dá voltas e surpreende, não há duvidas. Recebi um telefonema de F. mais de 1 mês depois daquele ocorrido e o final ainda iria me surpreender...e muito!

POR AÍ...


Hoje li que Miley Cyrus, a adolescente que é adorada por milhares de outros adolescentes e interpreta Hanna Montana (tenho que admitir que eu mesma nunca vi e não acho que esteja perdendo muita coisa) arranjou mais uma forma de explorar seus fãs fazer dinheiro.

Até há umas 2 semanas, qualquer um poderia acessar sua página no Twitter e acompanhar a vida de Miley. Ela tinha mais de 2 milhões de pessoas a seguindo. Um belo dia resolveu fechar sua conta alegando que o novo namorado havia pedido.

E a grande surpresa veio: Miley começou a atualizar o blog que mantém em seu site e...resolveu cobrar mensalidade de U$29.95 por ano para que seus fãs tenham acesso ao blog MileyWorld.

Estou até agora tentando por alguma coerência nessa estória. A única conclusão à que cheguei foi:  digamos que,  por baixo,  se 1/4 das pessoas que a seguiam no Twitter, resolverem continuar lendo sobre seu dia-a-dia, ela estará embolsando por ano U$14,975.000,00 só com o blog!

Não tenho idéia sobre o que essa mocinha posta, já que não sou membro de seu "programa de fidelidade" e não tenho acesso. Não sei se o que ela escreve afeta positivamente ou negativamente os adolescentes de hoje que já são tão influenciáveis. O que eu sei, com certeza, é quanto o bolso de muito pai por aí vai ser afetado.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

MAYBE?!





Recebi e-mail de uma amiga que viu meu post sobre a Mulher Melância. Amiga bem chegada e adorada. Ela diz que, entre ver bunda da Watermelon e os atributos de todas as outras Mulheres Frutas, ela fica mesmo é com a... Abaya!

Dei risada e fiquei pensando. Talvez ela não seja a única...

Por fora bela viola, por dentro... Parte I


F. era uma das recepcionistas em nossa equipe em Dubai. Marroquina, bem apessoada, cheia de si e com personalidade muito forte. Daquelas pessoas que temos que saber como lidar, ou seja, com muito jeito. Lá pelo horário do almoço, fui avisada de que F. era suspeita de ter pegado uma quantia razoável de dinheiro que pertencia ao Hotel. Uma das câmeras localizadas na Recepção mostrava imagens que, de alguma maneira, à incriminavam. Ela seria, então, interrogada pelo departamento de Segurança do hotel.

Ela insistia ser inocente, mas com as imagens da câmera mostrando o contrário, não restava alternativa ao Hotel, mas chamar a polícia e  pelas normas de Dubai, F. foi colocada dentro de uma viatura. Pediu para que um Gerente a acompanhasse..quer dizer, pediu para a boa camarada brasileira acompanhá-la. Lá fui eu para Delegacia de Polícia de Dubai – ao menos não na viatura, mas no carro do Gerente de Segurança do Hotel que, claro, também foi.

Comparada com as Delegacias do Brasil, posso dizer que parecia que nós entrávamos em uma Delegacia 5 estrelas (se é que existe algo assim). Um prédio novo, relativamente bonito, muito limpo e organizado. Nem parecia que havia polícia por ali. E havia mármore por tudo quanto é canto.

Acho que a única coisa em comum com algumas Delegacias que já visitei no Brasil foi o fato de ver um policial sentado em sua linda mesa (ok, as mesas nas delegacias do Brasil não são assim tão lindas), debruçado em seu computador com cara compenetrada. Pela localização do PC, pude ver que realmente o que ele fazia demandava uma concentração e tanta: afinal, jogar Paciência não é para qualquer um. Ou será que é?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Só você...sempre você! - Parte II


Com todo respeito, mas alguém aí já viu europeu tendo empregada (não considerando os extremamentes ricos) na Europa? Praticamente impossível, já que o custo é exorbitante na maioria dos países europeus. Mas faça a mesma pergunta em relação aos europeus que vivem em Dubai. Claro que há exceções, mas a grande maioria se permite ter esse luxo por aqui.

O que dizer dos operários que trabalham nas construções civis? Bom, a grande maioria das empresas que crescem consideravelmente nos países do lado de cá são estrangeiras (muitas vezes, mistura de capital local com estrangeiro), com um quadro de funcionários praticamente todo de estrangeiros (ao menos em Dubai é assim. Na Arábia, nem tanto), então é de se perguntar porque essas pessoas desses países tidos como "Primeiro Mundo" não fazem nada para mudar a realidade? Sim, porque o governo pode não estabelecer leis que garantam o mínimo de dignidade para essa massa de trabalhadores, mas também não proíbe nenhuma empresa de oferecer melhores condições.

Isso se chama hipocrisia! Porque para mim é assim: impossível só criticar sem ter a maturidade de entender que quem critica também contribui para a situação atual. Eu já vi vários estrangeiros dos ditos Países de Primeiro Mundo (eu realmente não gosto desse termo!) fazerem coisas por aqui que nunca fariam em seus países de origem e isso, para mim, diz muito sobre a pessoa. E esses são os que mais criticam.

Meu ponto é: há problemas...problemas sérios em todos os países do mundo. Exceção, talvez, para os países nórdicos, aonde os problemas devem existir, mas em escalas muito, muito menores.

Eu realmente tenho dificuldades de lidar com gente que prefere enxergar somente o que quer ou interessa. Acho mesmo que deve-se discutir vários assuntos tidos como tabus nos países do lado de cá, mas que seja feito com um mínimo de coerência!

Coisas de nossa terra...



Não é por nada não, mas diz se  não constrange. Saiu no Te Dou Um Dado? (que, por sua vez, "pegou" a notícia no Ego). Aliás, os últimos dias andam recheados de "coisa boa". Não dá nem para comentar direito a situação da "guerra" no Rio de Janeiro. Talvez em outro post.


Só você...sempre você! - Parte I


Existe uma quantidade grande de estrangeiros que vivem ou já passaram por Dubai e fazem todas as críticas possíveis e imagináveis sobre o Emirado. Grande parte das críticas diz respeito à maneira como muitos estrangeiros são tratados: aqueles que já mencionei aqui, que são a mão-de-obra para serviços variados, principalmente serviços pesados.

É um fato que a vida de grande parte desses imigrantes é muito difícil. Vivem em condições bem precárias, apesar de não estarem ali ilegalmente, possuem direitos praticamente nulos e, ainda por cima, são tratados por parte da sociedade com desprezo. Muitos ficam anos sem poder retornar aos seus países de origem, longe da família, esposa e filhos. Eu sempre penso na vida dessas pessoas e não há uma única vez em que não me sinta incomodada e sei que não estou sozinha nessa onda, mas andei lendo alguns artigos escritos por estrangeiros das mais variadas nacionalidades e me chama a atenção em como hoje em dia, principalmente na Internet, as pessoas adotam um discurso de igualdade, direitos humanos e etc, muitas vezes criticando pesado sem olhar para si próprio. No caso, criticam a falta de igualdade e direitos humanos em determinados países sem considerar a realidade de seus respectivos.

Não estou aqui tentando justificar algo que acho injustificável, mas, expressando meu inconformismo com o que ando lendo por aí. Vamos à alguns fatos:
Essas mesmas pessoas que reclamam são estrangeiros que vivem em muitos dos países do Golfo, principalmente Dubai, aproveitando o quanto podem o que o lado financeiro desses países oferece. Até aí eu naõ vejo nada de errado, pelo contrário. O que eu acho um problema é usar e abusar do sistema e criticá-lo. Essas pessoas criticam as condições de vida de operários, motoristas e empregadas domésticas, mas são os primeiros a terem um estilo de vida que inclua todos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Dubai...Life, oh life!


Acho que se eu pensar sobre as circunstâncias mais inusitadas que já passei, sem sombra de dúvidas, Dubai e Arábia Saudita virão à minha mente. Como falei aqui antes, a mudança para Dubai, ao meu ver, me daria uma experiência profissional única. Na realidade, "ganhei" bem mais que isso.

O Diretor direto da nossa área era um Indiano, meu chefe logo que cheguei por lá era um Inglês e a pessoa que dividia o mesmo cargo que eu era um Austríaco. Gerenciávamos cerca de 120 pessoas, com nacionalidades vindas de todos os continentes.

O primeiro grande choque não foi muito relacionado com nacionalidade em si, mas com a famosa "guerra dos sexos". Quer dizer, não era bem isso, já que eu nunca segui essa linha. Sempre levei meu trabalho bem a sério e as coisas, felizmente, sempre aconteceram naturalmente, mas ali, me vi rodeada por egos e uma insegurança masculina difícil de descrever.
É comum vermos várias matérias dizendo que mulheres são mais inseguras, que as mulheres tentam a todo custo equiparar-se aos homens e provar que podem tanto quanto e, muitas vezes, fazem uso de artifícios questionáveis. Ao mesmo tempo, é raro lermos que os homens também têm suas inseguranças e se sentem ameaçados e, claro, reagem de acordo.

Pois bem...ali eu estava, literalmente, rodeada por homens bem inseguros, então, meu primeiro mês por lá não foi tão "colorido" como eu gostaria. E é em situações de crise desse tipo que temos que usar grande parte de nossa habilidade social. Uma coisa é lidarmos com um grupo que tenha um histórico e cultura similares e que conheçamos bem. Outra coisa é ter que conhecer uma pessoa no trabalho, de uma nacionalidade diferente e com uma cultura bem distinta da sua.

Estereótipos à parte. Conseguem imaginar como foi a adaptação de convicência entre eu, brasileira e um austríaco? Ainda por cima dividindo a mesma posição gerencial? Sim, porque isso conta e muito! Hoje somos grandes amigos e, depois que o choque inicial passou, nos tornamos grandes companheiros de trabalho, bem unidos mesmo, mas para chegar lá, eu dei o primeiro passo. Um dia, o chamei para conversar e expus claramente o que pensava, o que achava da atitude dele e de alguns outros e como eu achava que deveríamos seguir dali em diante. E surtiu efeito! Sem nada do tal sentimentalismo que dizem que as mulheres têm toda hora, sem nada do tal sentimentalismo que é comum entre nós brasileiros. Agi como um austríaco agiria e, acho que a partir dali, deixei de ser uma estranha no ninho. Pois é, as pessoas se identificam umas com as outras por diferentes motivos. Acho que foi o que aconteceu naquela hora.

O austríaco realmente se mostrou uma pessoa boníssima, mas, como esperado, sempre austero, principalmente com os funcionários. E não falo isso de uma maneira negativa não. Acho que ali, nós dois nos completávamos de alguma forma. O único lance é que pedidos e problemas de funcionários, invariavelmente, terminavam com a pessoa que aqui escreve. E o agravante principal é que as pessoas que estão em Dubai, em sua maioria, estão sozinhas, sem família alguma por perto e os amigos são todos do trabalho. Somos mais que gerentes - representamos, muitas vezes, uma idéia de proteção e companheirismo. Inevitável!

Por causa disso, já passei madrugada em delegacia de Dubai com funcionária (marroquina), fiquei, durante 1 semana, visitando funcionário com meningite em hospital (egípcio), extendi férias para funcionário que casou escondido no país de origem (indiano)...enfim, estórias que não deixariam nada à desejar  para as tramas de Glória Perez.

domingo, 18 de outubro de 2009

Uma pequena esclarecida


Não tenho certeza se já mencionei aqui antes, mas tenho uma relação diferente com religiões como um todo. Sou uma pessoa com fé, acredito em Deus (não importa como o chamem, é sempre o mesmo Deus), mas, ao mesmo tempo, sou muito questionadora, procuro sempre por respostas e informações...que encontro nas mais diferentes religiões.
Respeito, pesquiso, questiono...e vou aprendendo e, quem sabe, me tornando uma pessoa melhor. Sempre acreditando que a variedade, em alguns casos, é a alma do negócio...

TECENDO O SABER - FATOS, MITOS E MAIS OU MENOS




Muçulmanos devem rezar, ao menos, 5 vezes por dia - FATO
Um dos pilares do Islamismo é o cumprimento da reza diária, sempre em direção à Meca.Há horários certos para que as 5 rezas, digamos, principais aconteçam, sempre com base na posição do sol. Como é difícil manter controle dos horários, nos países do Golfo, acontece o "adhan" – chamado para a reza, ou seja, a população é avisada. Ouve-se claramente, já que o chamado é feito por alto-falantes nos Mosques espalhados pela cidade. O mesmo ocorre dentro de shoppings e supermercados. Cada local, tem seu próprio "muadhen", pessoa que faz o chamado. Normalmente, são pessoas com vozes bem impactantes.

Na Arábia Saudita, durante as rezas, todas as lojas, restaurantes e supermercados fecham. Alguns lugares permitem que o cliente permaneça lá dentro, outros, principalmente lojas, pedem que os clientes saíam e retornem ao término da reza.Tudo tendo em vista "garantir" que o maior número de pessoas vá rezar.
Em outros países do Golfo, como Dubai, o chamado é feito, mas os estabelecimentos permanecem abertos o tempo todo.

Rádio e televisão são proibidas na Arábia Saudita - MITO
Na Arábia, há 5 canais de televisão, pertencentes ao governo, com uma programação variada como esportes, notícias, programas somente em Inglês, programas somente em árabe e programas destinados para crianças. Além destes canais, há também, outros, mas pertencentes à empresas sauditas privadas. Em todos, pode-se ver programas atuais, principalmente os programas americanos, incluindo talk shows, sitcoms e filmes. Os canais sauditas privados, têm, inclusive, escritórios e estúdios em Dubai.
Ao mesmo tempo, todos os canais a cabo possíveis e imagináveis estão disponíveis. Inclusive, aqui em casa temos a assinatura da Globo Internacional.

Há estações de rádio sauditas, com programação similar á que conhecemos de outros países. Pode-se, também, escutar algumas estações de rádio americanas, já que há a presença de um número considerável de militares americanos na região (as rádios são destinadas para os militares alocados em diferentes países)

Música é proibida em locais públicosMAIS OU MENOS
Digamos que não seja recomendado lojas em shoppings terem música tocando ao fundo. Aparentemente algo relacionado a não "distrair" as pessoas, mas, mesmo assim, nas ruas, é comum ouvir músicas "bombando" nos potentes estéreos encontrados nos carros de adolescentes. E, lembrem-se, as estações de rádio têm programação normal.

Mulher não pode andar sozinha na ruaMITO
Não sei da onde vem tal idéia, mas isso não existe por aqui. Penso, que, talvez, pelo fato de, principalmente durante o dia, no pico do verão, ter pouca mulher andando por aí – fácil de entender quando pensamos que as temperaturas podem chegar à 50 graus Celsius e a abaya, preta, não torna o processo de estar ao ar livre muito agradável.

Aos poucos, vou postando mais alguns fatos e mitos...principalmente sobre a tão famosa posição da mulher na sociedade saudita.

sábado, 17 de outubro de 2009

Viajando por aí - Mar Morto (Jordânia)

Uma das coisas que eu e Ibra temos em comum é a paixão por viajar, conhecer lugares e culturas novas e diferentes. Enquanto muitos viajam para lugares aonde possam continuar em uma certa "zona de conforto", sem obstáculos de língua, com cultura similar e programas de turistas básicos, nós buscamos algo que vá um pouco além disso.Adoramos lugares aonde se respira "história"...são nossos preferidos. E desde que cheguei por aqui, tenho essa vontade de conhecer o maior número possível de países do lado de cá. Até que temos aproveitado bem.
Uma das nossas últimas viagens foi para a Jordânia, em alta pela novela da Globo, mas devo confessar que não tenho assistido muito a Globo Internacional (que temos aqui em casa). Já faz um tempo que queria escrever, mas, outros assuntos foram surgindo e acabou que somente agora estou postando sobre essa viagem.
Começamos pelo Mar Morto, passamos por Petra e Amman (capital), além de visitarmos os muitos sites históricos que existem por lá.




Eu, particularmente, adorei os dias de sol e água fresca no Mar Morto. O que impressiona é o comprimento... esperava ver algo imenso, mas, claramente vemos que o Mar está sumindo.


Pôr do Sol - à direita estão o West Bank (assentamento Palestinos) e Israel


Resort à beira do Mar (localizado no começo do lago). Uma vista impressionante!

Dei uma olhadinha agora na Wikipedia e menciono algo que achei bem explicativo: "Comprimento máximo de 80 km. É um lago alimentado pelo Rio Jordão e banha a Jordânia, Israel e Cisjordânia. Nos últimos 50 anos, o Mar Morto perdeu um terço da sua superfície, em grande parte por causa da exploração excessiva de seu afluente, única fonte de água doce da região, para além da natural evaporação das suas águas. Contudo, os especialistas são de opinião que, dentro de alguns anos, esta perda tenderá a estabilizar paralelamente à estudos que levem à sua conservação e preservação, portanto, o desaparecimento do Mar Morto não aconteceria, segundo estes, nem hoje nem no futuro".


Fim do Mar Morto. Pela aparência do solo, percebemos claramente que aonde,
hoje, vemos somente areia, há um tempo atrás havia água

É o ponto mais baixo da superfície do planeta! O nome "Morto" é relacionado à grande quantidade de sal encontrada na água. Sal e minerais encontrados somente por ali. Por causa disso, não é possível que nenhum tipo de fauna e flora sobreviva nas águas do Mar. A concentração de sal chega a ser até 10 vezes mais que outros mares, rios e Oceanos e é justamente responsável por permitir que pessoas flutuem facilmente em suas águas.
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Pessoas flutuando no Mar




Foto Wikipedia

A grande conentração de minerais, muitos encontrados somente no Mar Morto, faz com que a água (e a lama encontrada no fundo do lago) sejam ideais para formulações de produtos cosméticos e tratamentos dermatológicos.
As pessoas que por ali passam cobrem seus corpos com a lama e assim ficam por alguns minutos. Inclusive, à beira do Mar, os resorts já deixam a lama separada.


Pote com lama à beira do Mar

Os benefícios da água do Mar Morto também são mencionados aqui. Há produtos de todos os tipos. Eu, claro, comprei alguns e os que já experimentei, realmente, estão dando ótimos resultados. Até o gosto da água é diferente. A mistura de sais faz com que tenha um gosto bem amargo.
Deu para curtir bem e até o Rayan aproveitou, principalmente a piscina do resort. O pequeno adoooora uma água.

No dia seguinte, partimos para Petra...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Simples assim?


O Z. é de Bangladesh, chegou aqui há um tempo. Foi motorista da minha sogra por alguns meses (cobrindo as férias do motorista dela) e, por insistência da sogra mesmo, acabou aqui em casa.

O que a necessidade não faz!

E as minhas dificuldades em se adaptar à situação são diversas. Vão desde ele ser um estranho que acompanha minha vida com uma intimidade que eu daria a poucos, até pensar em como a vida dele deve ser difícil. Fico pensando que ele está aqui não por opção, mas necessidade pura e deve odiar o que ele faz. Que deve ser um saco ficar parado em algum lugar esperando a "madam" aparecer e dar as coordenadas do dia.

Estou tendo até que aprender como que a coisa funciona. Aqui é assim: ele vem com um visto de trabalho e a família se torna responsável por ele. Oferecer acomodação faz parte do pacote, então, assim como uma assistente do lar (estou testando a variedade que existe para o termo), o motorista mora na mesma casa dos patrões, o que significa 24 horas à disposição da "madam". No começo, quando cheguei, custava a entender tal lógica. A explicação de todos é que, ele "é a patroa" por trás do volante, portante, se ela precisar ou quiser ir aqui ou ali à qualquer hora, ele é a pessoa responsável por fazer acontecer. No nosso caso, ele mora 10 minutos daqui...o que eu acho ótimo. Gente estranha 24 horas do dia ao redor não é comigo.

O primeiro dia do Z, ontem, começou já confuso. O marido avisou que ele precisava me levar ao dentista, então deveria estar por aqui às 7:00 da noite (não se espante, aqui as consultas de médico, dentista, o que for, pode acontecer até umas 10 da noite...). Às 6:30 da manhã do dia seguinte, toca o celular do marido e adivinha? Z. avisava que, provavelmente, chegaria um pouco tarde ao nosso encontro. Não preciso dizer que ele se confundiu e acordou a casa toda, incluindo o baby. Pensei comigo: começamos bem!

Hoje foi a primeira vez com ele à disposição para ir e vir o dia todo. Muito bom! É uma sensação de liberdade, por mais que, de alguma maneira, vigiada. Não estou reclamando não. Só tentando expressar aqui o quanto o negócio pode não ser tão simples como parece.
Por exemplo: fui ao shopping e Z? Teoricamente, teria que ficar do lado de fora esperando...esperando o tempo que fosse. Eu me sinto esquisita com isso. Fico pensando nele do lado de fora à mercê de minhas vontades e não acho isso muito normal.
O que eu fiz? Falei para ele: vai para casa, descansa e só volta daqui 2 horas. Ele mesmo se espantou: descansa?!!! E eu não tinha certeza se eu iria durar 2 horas dentro do mall, mas, a partir dali, teria que durar. Me adaptei ao motorista e não o contrário!
Segundo as cartilhas de patroas e patrões, isso é um no, no, no... devendo acontecer só de vez em quando e não na primeira vez que o trabalho é feito. Dizem os especialistas que "pode acostumar mal".

Conversando com uma amiga brasileira hoje, levantamos as seguintes hipóteses:
A) Definitivamente não nasci para ser madame
B) Algo relacionado à nossa nacionalidade...sei lá, brasileiro sempre dá um toque pessoal e sentimental em quase todo tipo de relacionamento, incluindo de trabalho
C) Realmente não gosto de gente estranha invadindo meu espaço
D) Nenhuma das opções acima.

Ou...fato é, provavelmente,  que sou mesmo uma estranha em uma terra estranha!

Do lado do avesso


Mulher não dirige na Arábia Saudita. E você vai perguntar o motivo. Algumas pessoas dizem que mulher não pode dirigir na Arábia, mas, na realidade, não há lei que impeça-as de dirigir, o que não há é uma maneira de se conseguir uma carta de motorista para mulheres, o que, no final das contas, significa, mais ou menos, a mesma coisa, não?!

Alguns ainda podem perguntar: "Mas e as mulheres que possuem carta de motorista de outros países, ou até mesmo, a internacional"? Bom, não há validade alguma por aqui. A última vez que mulheres foram às ruas conduzindo seus carros foi durante a Primeira Guerra do Golfo, em 1991 e...foram presas.Tenho que abrir um pequeno parênteses aqui: existe um número considerável de mulheres que sabem dirigir, basicamente às que já moraram em outros páises.

As coisas já mudaram muito desde 1991, o país, aos poucos, vai dando passos para mudanças necessárias e importantes. Hoje em dia não está muito claro o que aconteceria se a cena de 1991 se repetisse. O governo, através da mídia, diz que não há proibição alguma, então, ficamos todas à espera de algumas mulheres de fibra e coragem para se aventurarem e "ver no que vai dar", porque para tudo há sempre pioneiras.

Enquanto isso, a locomoção das mulheres é feita pelos maridos e, principalmente, motoristas. Homens vindos da Índia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas são os preferidos para conduzir os carros por aí. Eles vêm sem a família, trabalham longas horas, mas conseguem ganhar um dinheiro que é praticamente impossível em suas terras natais. Através desse trabalho, sustentam esposa e filhos no país de origem.

Muitos ficam até 2 anos sem ir para "casa". Uma realidade comum nos países do Golfo (não como motoristas, já que somente na Arábia mulheres não dirigem, mas como trabalhadores braçais, na construção civil). Um pouco como uma grande maioria dos brasileiros que tentam a sorte nos Estados Unidos.
O transporte público aqui é praticamente inexistente, então, as opções ficam um pouco limitadas. Há táxis por todos os lados, mas, dependendo daonde se vai, o valor da corrida faz você pensar 2 vezes se vale a pena.

Eu aguentei firme por 2 anos e meio. Apesar de me sentir muitas vezes limitada, dependente dos outros, sempre relutei em ter um estranho me levando para cima e para baixo. Desde os meus 18 anos que prezo minha liberdade de ir e vir, sem depender de ninguém e, de repente...cá estou! Até o ato de comprar um ovo na esquina pode demandar uma certa lógica... porque andar a pé aqui pode ser nada agradável, já que o calor chega a uns 50 graus, então, por mais que queiramos evitar, faz-se necessário ter uma locomoção motorizada à disposição.

Pois bem, aguentei firme até..ontem! Algo que é bem simples, se tornou, por algum motivo, complicado para mim. Eu já suspeitva que teria que me adaptar à situação, mas achei que seria mais corriqueiro. Eu sei que este é o menor dos problemas de uma pessoa e é por isso mesmo que fico me perguntando o motivo de eu estar tendo uma certa dificuldade, afinal, dizem ser fácil ter alguém à disposição a qualquer momento.

Estou começando a achar que o problema é comigo...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Maktub?!**


Tenho pensado nessa coisa de destino. Um assunto bem batido e, de alguma maneira, complexo. Até que ponto já está tudo tão definido? Se sim, até que ponto podemos influenciar algum resultado final? Ou será que, no final das contas, conseguimos alterar algumas coordenadas, mas o resultado já está traçado?


Há uns meses atrás, uma estória muito triste chamou minha atenção. Alguns devem se lembrar de um acidente com um avião particular em Trancoso no final de Maio deste ano.A queda aconteceu quando o avião já tentava posar na pista particular de um hotel .

O avião pertencia ao empresário Roger Wright, considerado um homem de negócios muito bem sucedido. Infelizmente, ele e outras tantas pessoas de sua família, que também estavam no avião, não sobreviveram à queda, incluindo sua segunda esposa, filho, nora e netos.

O fato em si já é uma tragédia, mas, lembro que li em vários jornais, na época do acidente, que a primeira esposa de Roger já havia falecido também em um acidente aéreo – o da TAM em Guarulhos em 1996 e em 2007, sua secretária foi uma das vítimas do acidente com o avião da TAM em Congonhas. Li, inclusive e sem saber se é realmente verdade, que o empresário é quem deveria estar nesse último vôo, mas, por algum motivo, a secretária embarcou em seu lugar.

Têm ainda aquelas estórias de casais que se perdem pela vida e se encontram depois de 40, 50 anos para viver uma estória que não puderam antes.

E volto ao primeiro parágrafo desse post. Será?

**Palavra que a maioria conhece, mas poucos sabem..de origem árabe: está escrito!

domingo, 11 de outubro de 2009

POR AÍ...


16% DAS BRASILEIRAS QUE TRABALHAM SÃO DOMÉSTICAS
(coluna de Ruth de Aquino - Revista Época)

Achei o assunto bem interessante, apesar de não concordar com o artigo como um todo. As razões para fmílias contratarem assistentes do lar (politicamente mais correto?) mencionadas por Ruth me parecem bem simplistas e eu acho que é um pouco mais complexo que isso, mas um tema para se pensar.

sábado, 10 de outubro de 2009

Hoje é o dia...


Um sorriso seu é o que traz uma esperança de que dias melhores estão por vir. Ver você descobrindo o mundo me faz olhar para ele de uma maneira diferente. É como se também estivesse vendo algo pela primeira vez e aprendo e descubro junto com você.


Sempre escutei pessoas falarem que a chegada de um filho é um marco. Eu achava piegas e exagerado, mas hoje em dia, é impossível não concordar com isso.
Você faz as coisas estarem em seu devido lugar e terem a importância que merecem, como se forçasse uma reorganização de pensamentos, idéias e sentimentos.
E o amor?! Piegas, piegas...mas é, de longe, o mais intenso que alguém pode sentir. Difícil olhar para trás e não te ter como parte de minha vida.
Acho que um dos presentes mais importantes que você me dá diariamente é poder me conectar com os seus avós de uma maneira diferente. Através de nosso relacionamento, me aproximo do meu pai e da minha mãe e passo a entendê-los muito mais e apreciar coisas que antes não faziam sentido. Talvez um filho seja para isso mesmo: termos a chance de poder compreender a vida de uma maneira mais ampla. Mamãe nunca foi uma filha de dar muito trabalho, mas sempre foi muito decidida e cheia de si...às vezes, até demais e, com isso, muitas vezes, vovó e vovô foram confrontados por uma jovem que ainda tinha muito o que aprender.

Obrigado à você! Obrigado à vovó e vovô por terem aguentado firme, por terem sempre apoiado mamãe e as decisões tomadas por ela, mesmo quando tudo ía contra a maré.

Eu espero poder te transmitir a mesma sensação de segurança que sempre tive. Espero que você entenda que há muitas opções e caminhos à sua frente. Espero que você tenha serenidade suficiente para saber escolher. Espero que seus erros e acertos aconteçam de maneira serena, permitindo que você fique com o melhor que possa de qualquer situação.

Com você eu aprendi que mãe e pai, na grande maioria das vezes, têm a melhor das intenções, o que não significa que não cometerão erros. Eu e papai, com certeza, cometeremos os nossos, mas eu espero que possamos percebê-los a tempo.

Lembre-se sempre que o mundo é feito pelas diferenças: de raça, religião, gostos, credos, idiomas, aparências, etc... Hoje em dia está tudo muito confuso, o mundo está cheio de pré-conceitos e com uma idéia boba de que existe superioridade baseada exatamente nas diferenças.

Você é fruto de muito amor e, principalmente, é o resultado de uma mistura bem inusitada, por isso, eu espero que você nunca perca suas referências e se sinta sempre confortável em ser o que quiser.
E, quando houver quedas na sua jornada pela vida, lembre-se do que mamãe te fala neses dias que você está aprendendo a dar seus passinhos:"Caiu, levantou..Caiu, levantou".

Mamães e papais, por natureza, criam expectativas e hoje eu entendo como é um exercício diário permitir que você tenha o seu tempo, o seu rítmo para realizar o que quiser. Prometo tentar lembrar disso sempre.

Eu poderia escrever páginas e páginas...mas, por agora, eu só quero que você saiba o quanto é amado e adorado. E hoje é o seu dia...hoje e sempre!

Mamãe

Você...mais um pouquinho

Outra coisinha que você também vai aprender é que os países espalhados pelo mundo são bem diferentes em muitos aspectos, incluindo o quão desenvolvidos eles são naquela tal de tecnologia. Com isso, muitas vezes, o que é possível em um lugar, é impossível em outro.

Às 5 horas da tarde do dia 09, você começou, decididamente, a querer dar o ar da graça. Levaram, então, mamãe para um quarto bem tranquilo para que eu e você descansássemos. Ficaríamos ali até você ter toda a energia necessária para sair daquele mar de água que foi sua casinha por 9 meses.

Tudo ía bem, mas papai ainda não estava por ali. Mamãe conversava com você e explicava que tínhamos que esperar por ele. O que era para serem momentos relaxantes, tornaram-se momentos intermináveis de espera. Papai já não respondia às mensagens que mamãe enviava (sim, porque ele não só recebia as mensagens, como as respondia). Quando o avião em que papai estava entrou em ares brasileiros, a tal da tecnologia já não funcionava tão bem assim.
E, ainda por cima, toda vez que você ameaçava chegar, mamãe sentia dores. Algumas bem fortes. Entre uma dor e outra, entre moças que iam e vinham ver se estava tudo bem, entre conversas com a vovó que nos fazia compania, mamãe segurava firme o aparelhinho que permitia nossa comunicação com papai – o celular. Não exatamente o "normal" nessas horas.

Bolamos, então, um esqueminha para que papai chegasse bem rápido aonde nós estávamos. Um outro moço (também não tão moço assim!) pegaria papai no aeroporto (lugar aonde chegam todos os aviões) e traria papai ao nosso encontro. Você querendo apressar o tempo e mamãe querendo que ele parasse por algumas horinhas.

Era uma Sexta-feira. Chovia forte. Estávamos em São Paulo. Eram 7 horas da noite.
Um dia, também, você vai aprender o que significa o parágrafo aí de cima. Por agora, mamãe te avisa que um dos sinônimos é caos! Mesmo sem resposta, mamãe enviou mais uma mensagem ao papai. Bolamos o esqueminha e tínhamos que avísa-lo. Sim, porque até ali, ele não tinha idéia do que acontecia.

E na espera ficamos, por algumas boas horas. Até que apai se juntou à nós. Finalmente! À partir daquele momento, estávamos prontos para recebê-lo. E muito ansiosos! Não sei o que foi, mas dali em diante, você resolveu se acalmar.

Às 01:52 da manhã do dia 10 de Outubro, você chegou!

Mamãe, toda sentimental que é, claro que chorou. Um choro de felicidade e alívio. E papai te segurou por alguns minutos. E mamãe sentiu o o calor de seu corpo e, piegas que possa parecer, já sabia que a vida dela seria muito diferente dali em diante.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Você!


Há exatos 12 meses atrás, papai voava e passava pelos ares de vários continentes, enquanto mamãe já começava a sentir que a hora estava chegando. Aliás, a sua chegada, como não podia deixar de ser, acrescentou mais um capítulo para essa novela que chega, muitas vezes, a ser mexicana.

Você começou a querer vir ao mundo 1 semana antes do previsto, o que, claro, estava totalmente fora dos planos. Mamãe ficou até um pouco desesperada. Ela já entende, um pouco, que não dá para planejar tudo, mas era difícil ela aceitar que papai não estaria presente na hora que você desse o primeiro suspiro do lado de cá. Você, um dia, vai perceber que nós, adultos, somos assim mesmo: temos essa mania de planejar as coisas...ilusão, ilusão...

Mamãe sempre teve idéias certas de como as coisas devem funcionar. Ela chama isso de "seguir algumas cartilhas". Ela tem aprendido que, na realidade, muitas dessas cartilhas são uma tremenda bobagem e não servem para muita coisa. Aliás, servem para atrasar a vida de muita gente. Para alguns, papai e mamãe estarem juntos acompanhando a sua chegada é parte de uma dessas cartilhas que pregam coisas muito certinhas. Pode ser, mas para mamãe era algo importante ter o papai por perto.

Você querendo antecipar sua chegada. Mamãe já bem cansada, porque, verdade seja dita, você, com o tempo, começou a ocupar mais e mais espaço e, depois de 9 meses, já estava ocupando praticamente todo e qualquer espaço possível. Eu e você estávamos no Brasil. Papai no Oriente Médio, mais precisamente trabalhando em Dubai. E, com o tempo, você também vai aprender que é assim mesmo: um trabalho pode te proporcionar muitas coisas na vida, algumas muito boas, outras boas e outras não tão boas assim, incluindo ter, muitas vezes, que deixar sua família e seus amigos em segundo plano. Era impossível para papai chegar a tempo de ver sua chegada.

Você querendo ou não, tinha que esperar um pouco. Outra liçãozinha que mamãe já tenta te ensinar: calma, tenha calma! Como de costume, nem sempre os conselhos de mamães e papais são levados a sério. Tínhamos, então, que tentar deixá-lo bem calminho. Ficamos, eu e você, 1 semana em completo repouso. Era o tempo que papai precisava para poder nos encontrar.

Achamos que você esperaria até a tarde de 10 de Outubro. Papai chegaria na noite anterior. Teríamos, então, tempo para, juntos, esperarmos por você, mas não teve jeito. Você, bem decidido, começou a anunciar claramente durante o dia 09 que sua chegada estava bem próxima. Era hora de irmos encontrar um moço (ou não tão moço assim!) que cuidou da mamãe durante o tempo que você ainda curtia um pouco de paz, rodeado de água por todos os lados. Ele iria ajudar você a chegar por aqui sem muito sofrimento. Eram quase 4 horas da tarde. Papai ainda tinha muitas horas de vôo, ele ainda sobrevoava a Europa.

O mundo hoje em dia anda muito doidinho, mas com algumas, ou muitas, coisas positivas. Uma delas é a possibilidade de mantermos contato com pessoas em vários cantos desse mundo, incluindo pessoas que estejam em lugares bem inusitados. É o que chamam de desenvolvimento de tecnologia. Às vezes, um problema, mas, com certeza, não naquele dia. Assim, recebendo mensagens que mamãe enviava para o avião, papai nos acompanhava à distância.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Será?


Como sabemos, em Dubai os contrastes convivem pacificamente. É extremamente normal ver mulheres com abaya e rosto e olhos cobertos e mulheres vestindo shortinhos e vestidinhos caminhando lado a lado. Ingenuamente, eu achei que estava preparada para ver aqueles pontinhos pretos (no início, eu brincava com Ibra que as mulheres com suas abayas, à distância, pareciam pontinhos), mas leva-se um certo tempo para se acostumar em vê-las assim. Aliás, tem gente que não se acostuma nunca.

Nas primeiras vezes que atendi hóspedes mulheres com o rosto coberto, a sensação foi estranha. Já foi comprovado que muito da nossa comunicação é feita através de olhares e expressões faciais. Então, imaginem o que é interagir com alguém que, de maneira simplista, podemos dizer, "não possui um rosto".
E como tudo na vida, depois de um tempo se tornou comum para mim. Mesmo assim, algumas vezes, ainda me surpreendo. Aos poucos, fui aprendendo que a idéia de que todas as mulheres por aqui são oprimidas e forçadas a se comportar de uma certa maneira não corresponde com a realidade. Claro que há problemas, mas estórias tristes e problemáticas existem em qualquer sociedade. 
A ignorância que temos sobre a cultura e hábitos dessa região e a mania que a maioria de nós tem de acreditar que o nosso modelo de vida é o único correto, nos leva à conclusões bem erradas. Devo dizer, também, que os muitos livros que existem por aí sobre a situação da mulher e o Islamismo não ajudam. A impressão que dá é que encontrou-se uma maneira de garantir vendagem de livro, então, o tema é explorado aleatoriamente. O engraçado é que as mulheres que se cobrem por vontade própria nunca são mencionadas. Sim, porque elas existem. Um absurdo para uma maioria...mas, vale lembrar que para muitos, também, um absurdo a nudez que se vê no carnaval. Tudo, como sempre, uma questão de cultura.
Em todos os países do Golfo, a interação entre "locais" e estrangeiros é limitada. Pode acontecer no trabalho, em alguma balada, mas, normalmente, não passa disso. E é aí que entra um lado vivenciado por poucos.

Em Dubai eu era uma estrangeira. Aqui na Arábia, sou a esposa de um saudita, além de brasileira. Pertenço a "dois mundos" que são bem distintos...ou não!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

TECENDO O SABER...

Há uma certa confusão em relação à vestimenta das mulheres em alguns países islâmicos, incluindo os países do Golfo.

BURKA

De uma maneira muito simplista, podemos dizer que a burka é um "vestido (posto pela cabeça) que cobre inteiramente a face, com uma tela na região dos olhos".
Comum no Afeganistão e na região Noroeste do Pakistão. Antes do Taliban tomar o poder no Afeganistão, a burka raramente era usada nas cidades, sendo mais comum encontrar mulheres com a vestimenta nas áreas rurais. Durante o regime     
  Taliban, tornou-se norma que qualquer mulher em público vestisse burka.
     O atual governo baniu a necessidade de vestí-la, apesar de ainda ser usada em algumas regiões do país.
No Paquistão, ao longo dos últimos anos, a burka deixou de ser usada por muitas mulheres, com exceção de certas áreas rurais.



ABAYA


"Vestido" que as mulheres muçulmanas vestem por cima de suas roupas, não cobre a face, os pés e as mãos.
Nos países do Golfo as abayas são, em geral, preta (qualquer cor diferente é considerada brega). A Arábia Saudita, é o único país do Golfo em que é obrigado por lei usar a abaya quando em público. Nos demais países do Golfo, há liberdade de escolha e 98% das mulheres muçulmanas optam por usá-las.
Por ser uma vestimenta comum à quase todas as mulheres, os detalhes fazem a diferença, então, é bem comum ver abayas de estilos diferentes, com detalhes como os da foto ao lado. Há abayas mais soltas, outras muito justas (que revelam bem o formato do corpo), há abayas de estilistas famosos, há abayas que trazem o símbolo de muitas grifes de roupa, enfim, o charme de uma mulher nesta região pode ser mensurado pelo tipo de abaya.Há abayas, inclusive com detalhes em cristal, podendo chegar à bagatela de R$5.000,00.
O véu cobrindo a cabeça é opcional. A maioria das mulheres muçulmanas, por credo e valores, cobre os cabelos com o véu. Na Arábia, apesar de a abaya ser obrigatória, estrangeiras podem optar por não cobrir o cabelo (como no meu caso, uso abaya sem cobrir o cabelo).


NIKAB

Pode ser visto na foto ao lado. Basicamente as mulheres põe o nikab na face e a abertua na região dos olhos, amarrando na parte de trás da cabeça (difícil de entender? Dá uma olhada na foto abaixo) dando a impressão de ser uma peça só. O Nikab é muito comum na Arábia Saudita e relativamente pouco usado por mulheres dos outros países do Golfo (claro que há exceções). Vale lembrar que estes trajes são usados somente quando em público. Quer dizer, na Arábia, há algumas situações específicas aonde as mulheres fazem uso dos trajes mesmo quando em locais fechados, raro, mas acontece...mais para frente explico as razões.
  Como os olhos são a única parte da face exposta, a maquiagem é caprichada. Alguém aí se lembra da novela "O Clone"? A personagem Jade, vivida pela Giovanna Antoneli, dá uma boa idéia de como a maquiagem dos olhos é importante.   



Pode parecer impossível de acreditar, mas as mulheres são extremamente femininas. Se as pessoas pudessem ver o que está por baixa dessas abayas, se surpreenderiam. Na maioria dos casos, principalmente com a geração mais jovem, roupas modernas, de designers famosos, um andar charmoso e um belo perfume raramente faltam .
 
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