Esses dias, zapeando pelos canais de TV, acabei assistindo a documentários bem interessantes. O primeiro, na Polinésia Francesa (Tahiti e a tão famosa ilha de Bora Bora são referências), mostrou um pouco dos costumes de la. O que mais me chamou a atenção foi que até um tempo atrás, o primeiro filho de uma família, independente do sexo, era criado como mulher.
No programa entrevistaram alguns deles. A maioria na faixa de uns 30 ano, muito bem apessoados, com trejeitos bem femininos e cientes de seu papel na sociedade. Por serem primogênitos, esses homens, chamados "homens afeminados", são os responsáveis por cuidar da casa e da mãe.
Por ser um costume cultural, a sociedade sempre os aceitou, mas, hoje em dia, tal prática já não é comum.
Já no documentário "Daughters from Danang", o programa seguiu por alguns anos e mostrou a vida de uma vietnamita naturalizada americana. Durante a Guerra do Vietnã, os Estados Unidos , pessionado pelas Organizações de Direitos Humanos e diante da grande devastação causada no Vietnã, lançou uma campanha para que bebês vietnamitas órfãos fossem adotados por família americanas.
Parecia uma ação muito nobre, mas, segundo o documentário, há uns anos, descobriu-se que, na realidade, grande parte dos bebês tinham, na época, pais vivos e muito bem de saúde.Inclusive vemos imagens de pais chorando ao terem seus bebês levados pelos americanos. Aparentemente, o governo lançou a campanha tendo em vista satisfazer a pressão internacional que criticava as ações americanas, além de ser uma maneira de levantar mais fundos para a guerra. O governo americano justificava que o dinheiro angariado seria dado às famílias americanas que adotassem os bebês, como uma forma de apoio, mas, na realidade, grande parte do dinheiro foi usado em benefício da própria guerra.
A tão famosa foto - crianças e a Guerra no Vietnã
No documentário vemos a vida de Heidi, uma mulher na faixa de uns 40 anos, adotada por uma família americana quando tinha 9 anos. Ela ainda lembrava da vida no Vietnã e dos horrores da guerra e sonhava em encontrar a mãe biológica e os irmãos.
Através de de uma Organização e de algumas coincidências, ela, depois de uns anos, conseguiu encontrar a família e embarcou para o Vietnã. Dali em diante, acompanhamos as reviravoltas de sentimentos e desejos que ela tem.
Na chegada está toda animada, sentindo que sempre amou a mãe e sempre foi amada. O re-encontro, diz ela, "fez com que me sentisse completa". Após alguns dias, acompanhamos o quanto a pobreza e a simplicidade da família vietnamita começa a afetá-la. Sua estadia foi de 1 semana e após o terceiro dia, ela já sentia que não pertencia aquele mundo e não conseguia imaginar-se ali. Esperava ansiosamente a hora de ir embora.
Próximo à sua partida, a família se reuniu e com um tradutor explicou que precisavam de ajuda financeira para cuidar da mãe. Afinal, ela, americana, vinha de um mundo considerado cheio de luxo, dinheiro e oportunidades.A protagonista do documentário desaba em lágrimas. Sente-se usada e, ao mesmo tempo, culpada por ter que dizer não. Ela não sentia nenhum laço com aquelas pessoas.
Um contraste e confronto de culturas – na maioria das sociedades orientais, os filhos são ressponsáveis pelos pais, principalmente financeiramente. Hoje em dia, em alguns lugares, isso já está mudando, mas no geral, é o que prevalece.
Para uma americana, tal conceito é inexistente. Na sociedade americana, normalmente os filhos só cuidarão dos pais se eles estiverem doentes, já no fim da vida. Na cultura americana, os filhos internarão os pais em casas de repouso, algumas com muito luxo e, não necessariamente, a convivência com os pais será intensa.
A família vietnamita não conseguia entender a razão da americana se sentir tão ofendida. A americana, por sua vez, sentiu-se usada.
Heidi reencontrando sua mãe no Vietnã
(foto site documentário)
Há uma passagem de tempo de 2 anos. A família vietnamita continua na miséria e desejando o retorno daquela filha-irmã. Através de um tradutor, mandam cartas para os Estados Unidos. Heidi mostra uma pilha de cartas em cima de uma mesa e confessa não ter coragem de abrí-las. Em quase todas, diz, há pedidos de dinheiro. Ela ainda sofre com o que viu no Vietnã. Tenta a todo custo esquecer e lamenta o fato de algum dia ter questionado o quanto sua vida, sua história e seu passado estão totalmente nos Estados Unidos. Em comum, vemos nos rostos um sofrimento, uma solidão.
Quem quiser saber mais, passa por
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Desde então, tenho pensado nisso. . . A guerra, a política, a pobreza, o amor, a separação, instinto de sobrevivência, elo entre famílias, costumes, culturas, mas, acima de tudo, como nós, seres humanos, não temos respostas para muita, muita coisa e está longe de sermos esses seres evoluídos que alguns acreditam que somos.