quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Uma moeda e seus lados


Já faz 5 anos que estou por estes lados de cá. Foram 2 anos e meio em Dubai e hoje, ao olhar para trás, acho que considero a temporada por lá um divisor de águas.

Quando cheguei em 2004, as construções estavam por todos os lados, era o começo do que se vê hoje em dia.
A vida é um pouco diferente do que é retratado o tempo todo na mídia. O glamour, o luxo, uma alternativa para o sonho americano (como já li escrito em um artigo) não representa o dia a dia da grande maioria que ali vive, longe de casa, família e as tão "famosas" referências.

Eu vou, aos poucos, contando algumas experiências por aqui. Eu vi e vivenci uma realidade que existe em qualquer lugar, mas, ali, para mim, a proximidade fez com que o impacto na minha vida fosse maior.

O trabalho roubou a cena durante meu tempo por lá. Meu relacionamento com o Ibra, mesmo involuntariamente, ficou um pouco em segundo lugar. Coisas de quem trabalha em Hotelaria, coisas de quem sempre levou o trabalho muito a sério, coisas de quem ainda tinha que aprender que, no final das contas, é preciso haver um limite e, na maioria das vezes, nós é que somos responsáveis por saber dosar. Mais um aprendizado que vem com o tempo. Eu ainda não cheguei lá, mas de uns 3 anos para cá, melhorei bastante.

No emirado, há 3 hotéis que são gerenciados pela empresa na qual eu trabalhava. Fui transferida como Assistente de Gerente do Departmento que cuida não somente da Recepção, mas de outras áreas também. Eu dividia o cargo de Assistente com outra pessoa e ambos reportávamos a um Gerente.

A grande adaptação começou no trabalho. Eram 7 áreas, sendo aproximadamente 120 funcionários de diferentes nacionalidades sob nossos cuidados. Uma vez nós contamos: chegamos a ter pessoas de 20 países diferentes trabalhando em nossos departamentos. Isso, sem sombra de dúvida, se tornou o mais complexo detalhe dessa experiência toda.

TECENDO O SABER



Para supresa de alguns, Dubai em si não é um país, mas um emirado que faz parte ds Emirados Árabes Unidos (UAE). Em 1971, 7 emirados se uniram e formaram a atual federação, sendo eles: Abu Dhabi, Sharjah, Dubai, Ajman, Umm al-Qaiwain, Ras al-Khaimah e Fujairah.Fazem fronteira com a Arábia Saudita, Qatar e Oman. Somente um quinto da geografia de UAE não é composta por desertos.

Abu Dhabi, além de capital, é o maior emirado e responsável pelo controle da produção de petróleo de UAE como um todo.De uma maneira bem simplista, pode-se dizer que cada emirado é como um Estado, com seus respectivos governantes, mas o país como um todo é presidido pelo Sheikh Khalifa bin Zayed Al Nahyan.

Alguns pontinhos:
  • População: estimativa de 4,5 milhões, sendo árabes somente cerca de 30% , o restante é composto por pessoas de diferentes nacionalidades
  • País muçulmano – há liberdade religiosa
  • Produção de petróleo estimada: 2,8 milhões de barris por dia
Uma curiosidade:
Sexta Feira é o dia sagrado e de descanso para os muçulmanos, portanto, os dias de final de semana são Sexta Feira e Sábado. Mas não se confunda: os dias continuam sendo "chamados" como no resto do mundo, só com a diferença de que a semana começa no Domingo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

POR AÍ...


Post (íntegra) do blog de Marcos Guterman:


LULA - O PACIFICADOR

"Nós, do Brasil, vamos trabalhar junto a outros países para achar um jeito daquele povo parar de se matar."


De Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, ao comentar o conflito no Oriente Médio, esquecendo-se de que o país que ele preside tem uma taxa de homicídios dolosos de cerca de 30 por 100 mil habitantes, uma das mais altas do mundo. Para efeito de comparação, o índice de mortos em conflitos em Israel e nos territórios palestinos entre 2004 e 2007 não chega a 9 por 100 mil habitantes, conforme dados fresquinhos divulgados pela ONU, que podem ser lidos na íntegra aqui. É o caso de perguntar: qual é o povo que precisa mesmo "parar de se matar"?

Combinado


Os posts, de agora em diante, serão uma mistura das experiências mais antigas com as mais recentes.
Será uma des-ordem de forma organizada...assim espero eu!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Um começo


Agosto 2004. Dubai. Independente do quanto saibamos sobre as temperaturas nos países do Oriente Médio, nada do que li poderia ter me preparado para o ar quente e húmido que senti logo que pisei fora do avião. Em pleno Agosto, pico do verão por estas bandas de cá, torna-se até um exercício permanecer muito tempo ao ar livre.

O que vi na minha frente não teve nada de cinematográfico: uma multidão de indianos, todos espremidos, olhando fixamente para cada um que passava pelas portas de saída do aeroporto e um cheiro que indicava uma falta de higiene pessoal misturada com suor. Se você está pensando nos indianos de "Caminhos das Índias", esquece! Os indianos bem de vida que ficavam dançando na novela, definitivamente, não retratam aqueles que estavam ali em minha frente.

No meio da multidão, de alguma maneira, consegui escutar os chamados de Ibra. Parecia até surreal: depois de quase 5 meses desde nosso último encontro no Brasil, estávamos novamente juntos e...em Dubai! Como forma de boas-vindas, Ibra reservou alguns dias em um dos Resorts luxuosos da cidade. Eu, definitivamente, estava em um outro mundo!

Naquela noite, antes de dormir não pude deixar de pensar que quando ainda estávamos trabalhando na Disney, Ibra dizia que, na pior das hipóteses, eu sempre poderia arrumar um emprego em Dubai e viver bem por ali. Até hoje tenho páginas impressas de pesquisas que fiz na Internet sobre Dubai, todas com data de 2000. Mais uma vez o Universo tinha me dado uma ligeira demonstração de como a vida é cheia de truques: lá estávamos nós, prontos para viver algo que não "aconteceu" 4 anos antes. A vida e o lance de tempo certo para tudo!

Depois de quase 20 horas de viagem (considerando a parada em Londres), o que eu realmente queria era uma boa noite de sono...Dubai teria que esperar mais umas horas para começar a ser "descoberta" por mim.

domingo, 27 de setembro de 2009

TECENDO O SABER


Para alguns, o Islamismo é considerado como a "última religião", ou seja, os ensinamentos e revelações que Deus transmitiu para o Profeta Maomé (Profeta do Islamismo) ocorreu depois de Moisés (considerado o Profeta principal para os Judeus) e Jesus (Profeta principal para os Católicos), portanto, para muitos, as revelações divinas definitivas.
O livro sagrado é o Alcorão, aonde, como a Bíblia (Catolicismoa) ou o Torá (Judaísmo), são mencionados os Profetas, seus ensinamentos e revelações. As outras grandes religiões Monoteístas (basicamente Judaísmo e Catolicismo) são reconhecidas no Alcorão, incluindo todos os Profetas. Jesus não só é mencionado várias vezes no Livro Sagrado dos Muçulmanos, mas também muito respeitado, não como o Filho de Deus (Catolicismo), mas como um importante Profeta.

Como mencionei, a idéia não é me aprofundar muito no aspecto da religião, mas acho importante mencionar esses fatos. A mensagem passada por muitos extremistas islâmicos não é compartilhada pela grande maioria dos cerca de 1,4 bilhões de muçulmanos espalhados pelo mundo:

Ásia – 800 milhões
África – 400 milhões
Oriente Médio – 250 milhões
Europa – acima de 25 milhões
Américas – acima de 5 milhões

Segundo muitos pesquisadores, a religião que mais cresce atualmente.

POR AÍ...


Rei da Arábia Saudita, Abdullah Bin Abdul Aziz Al Saudi, doou, em Abril deste ano, R$11 milhões para os atingidos pela enchente no Vale do Itajaí, Santa Catarina.

Prefeitos e representantes do Estado definiram que o dinheiro será empregado na construção de 437 moradias para famílias de seis municípios que perderam casas na enchente de Novembro de 2008.
Serão construídas casas de 36 metros quadrados de alvenaria. O custo estimado é de 25 mil por unidade. Blumenau será beneficiada com 261 unidades; Gaspar com 74; Luiz Alves com 26; Ilhota com 25; Camboriú com 18 e Brusque com 33.

O recurso será liberado pela Embaixada da Arábia Saudita conforme o andamento das obras.

sábado, 26 de setembro de 2009

Punhadinho de Conhecimento


Primeiramente, é preciso entender que a expressão "Países do Golfo" refere-se à Arábia Saudita, Oman, Qatar, Emirados Árabes Unidos (aonde se localiza Dubai), Kuwait e Bahrain. Irã e Iraque também estão localizados na região, mas, por questões sócio-políticas atuais, não são agrupados junto com os demais 6 países.
Todos são países Islâmicos e, de um modo geral, a religião tem um impacto muito grande no estilo de vida das pessoas. Não pretendo, ao longo dos meus posts, entrar no mérito religioso, até porque sinto que não tenho conhecimento suficiente para isso, mas, acho que devo explicar um pouquinho sobre o Islamismo – digamos que o básico do básico.

A palavra Islamismo, com suas raízes na língua Árabe, significa algo como "Render-se voluntariamente a Deus" e/ou "Paz" (bem diferente da mensagem que alguns extremistas têm passado sobre a religião em si).
O livro sagrado é o Alcorão, aonde, como a Bíblia ou o Torá, são mencionados os Profetas, seus ensinamentos e revelações dadas por Deus. O lance é que o Islamismo não trata somente da relação com Deus, mas, também, dá diretrizes de como conduzir a vida no dia-a-dia, incluindo como bancos devem operar (algo relacionado a não ganhar dinheiro em cima de juros e outras particularidades. Atualmente, os mesmos bancos que operam pelo mundo todo, possuem filiais Islâmicas em vários países. Há um número considerável de muçulmanos que somente têm conta nesses bancos), como conduzir negócios, estabelecer Leis Civis, enfim, diretrizes que influenciam o modo de viver de todos.

Partindo para a segunda etada de um conhecimento mais apurado, é importante também entender que, em cada uma dessas regiões, a religião é praticada de maneira diferente. Dito isso, é bom lembrar que a experiência que vou relatar ao longo dos meus posts não reflete, necessariamente, a maneira como muitos muçulmanos praticam a religião. Um dos maiores desafios atuais é a grande diversidade de interpretação de textos do Alcorão, o que, é claro, provoca esta diferença que acabei de citar, incluindo os "mais radicais".

Sempre bom...


Segundo Colin Wells, autor de "The Complete Idiot's Guide to Understanding Saudi Arabia" (sim, um daqueles famosos Guides! Ótimo, por sinal!):

"Para muitos países Ocidentais, a cultura saudita é um mistério bem complexo e, por conta disso, há muita falta de informação, que leva à uma idéia pré-estabelecida e cheia de inverdades .Caso você queira entender melhor o fascinante povo da Região do Golfo, é necessário que, mesmo temporariamente, abandone qualquer pré-conceito que você possa ter. Não quer dizer que deva abandonar seus ideiais políticos e conceitos de liberdade. Na realidade, é bom que não o faça. Tente apenas deixar de lado o ímpeto de qualquer julgamento até que entenda e saiba mais sobre essa intrigante região".

Faço do autor as minhas palavras. Não há intenção alguma em fazer apologia à qualquer religião ou forma de política. Não tenho a menor intenção de entrar em temas muito controversos. É apenas um relato do que vejo e vivencio por estas bandas de cá.

domingo, 20 de setembro de 2009

O tempo e as descobertas


Há  um tempo certo para quase tudo. Quando crianças e adolescentes, nossos pais tentam fazer com que entendamos esse príncipio que é meio básico na vida, mas difícil de ser assimilado até uma certa idade. Com a maturidade e experiências acumuladas, vamos entendendo o quão o tempo pode ser a resposta para muitas questões e, consequentemente, nos tornamos menos ansiosos e sofremos menos por antecipação.

No meu caso, acho que precisei, literalmente, amadurecer, ter um tempo para descobrir o que realmente eu queria e como queria. A certeza que eu não tive nos anos anteriores, veio com força em 2004. Eu sentia que a decisão daquele momento seria o ponto de mudança da minha vida. Até há algum tempo atrás, eu acreditava muito nessa idéia de que a vida tem que ser vivida plenamente e eu ainda acredito, mas de uma maneira diferente. Hoje entendo bem que há sempre um efeito nas escolhas que fazemos e temos que estar preparados para lidar com isso.

É o famoso jogo da vida, aonde perdemos e ganhamos, mas temos que, ao menos tentar, agir com cuidado porque algumas quedas podem ser bem dolorosas e algumas escolhas não têm volta. Mesmo assim, sou das que seguem a manjada “se arrepender pelo que faz e não pelo o que deixou de fazer”.

O meu processo de decisão ganhou um peso muito grande quando tive o apoio de meus pais. Eles sempre foram ótimos nesse ponto, tanto comigo como com meu irmão, que também vive com "patins nos pés". Eles me deram a certeza de que, independente de qualquer coisa, estariam ali. Eu pensava: se não fizer isso agora, vou sempre divagar... “E se”!!!
Eu já sabia que ir para a Arábia Saudita é muito difícil, já que a entrada no país é bem controlada (mais para frente explico melhor) e eu, na época, achava que não seria fácil arranjar um emprego por lá. Eu decidi que o ideal seria unir dois objetivos: uma nova experiência na minha carreira e a mudança para ficar mais próxima de Ibra, porque caso esse relacionamente falhasse, eu não sentiria que seria tudo em vão. Depois de muito pensar, resolvi solicitar uma transferência, pela empresa na qual trabalhava, para o local mais próximo da Arábia que me daria possibilidades reais de conseguir o que almejava.

Dubai era, naquele momento, a porta de entrada perfeita para um mundo que eu conhecia muito pouco. A hora para entender melhor o Oriente Médio tinha chegado.

sábado, 19 de setembro de 2009

POR AÍ...



Muçulmanos do mundo todo comemoram Eid Ul-Fitr, que marca o fim do Ramadã, mês sagrado, aonde devem jejuar (jejum completo, incluindo água) do nascer ao pôr do sol. Eid significa "Festivity" e Fitr significa "quebrar o jejum".

É um momento de celebrações e cheio de simbolismo para os muçulmanos, já que a idéia durante o Ramadã é de se buscar uma purificação de sentimentos e uma espiritualidade mais profunda. As pessoas buscam agir com mais generosidade, humildade e paciência. O jejum tem por objetivo permitir que a pessoa sinta o sofrimento que milhões sentem todos os dias e, com isso, tenha uma compaixão maior para com o próximo.


Meca e milhares de visitantes

Os dias seguintes...


1º Janeiro 2004. Lembro que estávamos a caminho de um shopping quando meu celular tocou. Do outro lado da linha, Ibrahem desejava Feliz Ano Novo e avisava que, dali a 3 meses, estava indo ao Brasil. Iria viajar com umas amigas que temos em comum, a Caru e a Tina, e aproveitar para passar o Carnaval em terras tupiniquins. Na hora, não senti nada. Quer dizer, sendo bem honesta, pensei que, mesmo se tivesse algum outro programa para o Carnaval, por questão de respeito, teria que cancelar e, se me recordo bem, não fiquei muito feliz com tal perspectiva.

Nessa época, ainda morava com meus pais, mas passava alguns dias em meu apartamento e lá seria o local de hospedagem do ilustre visitante.
Acho que pela correria do trabalho, não pensava muito no assunto. Somente alguns dias antes de ele chegar é que comecei a me dar conta de que, de alguma maneira, Ibra estava entrando novamente na minha vida e aquilo me assustava um pouco.Eu queria mudanças, mas em nenhum momento considerei ele em meus planos. Já tinha me conformado que Ibra seria como aquelas lembranças boas que permanecem conosco, mas que, por algum motivo, não são ou não podem ser mais que isso.

A chegada dele foi tranquila. Parecia que o tempo tinha parado, que nada tinha mudado. Era ótimo ter ele por perto. Comecei, enfim, a achar que teríamos belos dias pela frente, mas ainda sem nenhumas expectativas. Ibra passou vários dias viajando com Tina e Caru, indo de carro de São Paulo até algumas cidades de Santa Catarina. Foi durante esses dias que comecei a sentir falta da presença dele. Não sabia direito o que era, só sabia que contava os dias para que ele voltasse.
Sabe quando "descobrimos" algo que parecia estar sempre à nossa frente? Ficamos tão ansiosos que parece que não podemos esperar um minuto. E comigo não foi diferente.

No Carnaval, um dos grande amigos do Ibra, dos tempos da Faculdade nos EUA, se juntou a nós. Foi um Carnaval diferente do "comum" para turistas. Passamos em São Luiz de Paraitinga, um dos poucos lugares aonde o Carnaval ainda é tradicional com marchinhas de rua. Ao final de alguns dias, eu comecei a pensar o que seria dali em diante. Sem dúvidas, a distância Brasil-Arábia Saudita é bem diferente que Brasil-Estados Unidos, mas não era só isso, havia um outro probleminha. Depois de tantos anos, Ibra achava que não teria a energia necessária para levar aquilo adiante. Não fazia muito tempo que ele havia mudado para a Arábia, portanto não pretendia sair de lá tão rápido. Chegamos, mais uma vez, em uma encruzilhada. Além de tudo, Ibra sentia que anteriormente esteve muito aberto ao relacionamento e eu não fiz as mudanças que eram necessárias para termos algum futuro juntos. E ele estava certo.

Sentia que tinha chegado a hora de tomar uma decisão que seria, enfim, definitiva,. Era hora, também, de entender bem melhor o Oriente Médio.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

E ciclos se renovam...



Não sabia direito o que esperar, nem sabia direito o que queria. Hoje, quando penso sobre aquela época, ainda não consigo entender direito o propósito da ida à Califórnia. Pela quantidade de coisas que comprei, o Ibra brinca que fui às compras. Acho que , na realidade, eu precisava vê-lo e convencer à mim mesma que era hora de deixar ele partir, viver a vida dele e eu a minha.

Nessa época, ele estava super bem, com um emprego muito bom, estabilizado, mas, em nenhum momento sequer falamos a fundo sobre nós dois. Éramos 2 amigos e o assunto pairava no ar. A volta para o Brasil foi difícil. Acho que passei metade do vôo questionando tudo, principalmente o fato de eu não ter a devida coragem e disposição para tentar fazer aquilo dar certo.

Mas, decisão tomada, a vida continua. Voltei para São Paulo e, começou, então, um ciclo diferente, agitado, mas muito bom. Comecei a trabalhar em outra empresa, na abertura de um Hotel 5 estrelas, muito renomado em São Paulo. O período de pré-abertura foi puxado, trabalhávamos muito, mas, em compensação, as pessoas eram maravilhosas. Era um time unido, cheio de profissionais competentes, com uma gana muito grande de fazer acontecer.
Nos primeiros meses, trabalhamos tanto que não existia vida social. A diversão que tinha era no próprio trabalho. Só quando tudo passou a funcionar como o esperado, é que sentimos a recompensa por todas as horas passadas ali.

No âmbito pessoal, fui tocando a minha vida, vivendo diferentes experiências, algumas boas, outras nem tanto..

Final de 2002. Ainda conversava com Ibra pelo telefone. Para ele, era hora de voltar para a Arábia Saudita. Os acontecimentos do ano anterior fizeram com que ele repensasse muita coisa e eu acho que, nessas horas, o nosso instinto é estar próximo de nossa família e amigos.
Quando eu soube que ele estava saindo dos Estados Unidos, tive, então, a certeza de que aquele ciclo chegava ao fim.

A vida em São Paulo começou a entrar nos eixos em 2003. Amava o meu trabalho, as pessoas por lá, já tinha um horário bem mais normal, conseguia ter uma vida social e curtir minha família. Ainda assim, faltava algo, eu só não sabia direito o quê.

Ano Novo. A simpatia do Louro. Os 3 pedidos... e começa uma nova jornada em 2004.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

E ciclos se fecham...


A vida ia seguindo na Bahia: muito trabalho e pouca sombra e água fresca. Morávamos juntas, eu, Vanessa e Jú. Definitivamente, uma das melhores lembranças que tenho são do tempo aonde nós três estávamos sempre juntas. Trabalhávamos no mesmo lugar, passávamos por experiências parecidas ao mesmo tempo, dividíamos as tristezas, inseguranças, alegrias e éramos a família que estava longe.

No lado pessoal, cometi erros e acertos. Fui magoada e magoei, mesmo sem ter a menor intenção. Coisas da vida. Profissionalmente, tudo ia muito bem. Em Novembro de 2000, logo após nos mudarmos para a Bahia, Ibra, junto com um amigo, foi nos visitar. Essa viagem foi uma verdadeira catástrofe! Eu trabalhando muito, já não sabendo se queria dar continuidade àquele relacionamento, o Ibra cheio de expectativas, é óbvio, não entendendo nada e eu, por algum motivo muito incomum à minha pessoa, não conseguia verbalizar tudo o que estava sentindo. Sim, porque quem me conhece bem sabe que falar sobre sentimentos nunca fui um problema para mim. Pelo contrário, o difícil sempre foi saber a hora de ficar calada!

No dia de retornar aos Estados Unidos, foi o Ibra fechar a porta do apartamento que eu comecei a chorar copiosamente. Era um choro por mim, por ele e pelo fato de eu sentir que a "tal" pessoa estava saindo da minha vida. Eu, por vários motivos, tinha deixado ele, literalmente, partir. Dali em diante, nos falaríamos de vez em quando por telefone, mas já não era como antes.

Setembro de 2001. Quando fiquei sabendo sobre o atentado às torres gêmeas, claro, como todo mundo, entrei em choque. Ia acompanhando pela televisão o desenrolar de algo muito brutal e além de qualquer compreensão. O choque maior veio quando informaram que a maioria das pessoas envolvidas eram Sauditas. Naquele momento, pensei no Ibra e em como a vida dele e de milhares seria afetada nos Estados Unidos.
Até hoje, tem uma corrente grande de pessoas que questionam se o que sabemos sobre esse atentado é verdadeiro. Há várias teses que defendem o governo americano por trás desse episódio. Eu, particularmente, vejo inconsistências no que nos é apresentado como verdade, mas, talvez, por inocência, não quero acreditar que um governo possa fazer isso com seu povo, apesar de a História já ter nos mostrado que ambição e poder afloram um lado muito negro nas pessoas. Independente dessa polêmica, a vida de milhares de pessoas sofreu uma transformação drástica, do dia para a noite. Penso nas famílias que perderam entes queridos e não consigo elaborar uma maneira de se lidar com uma perda como essa. Penso, também, na vida de pessoas inocentes que, por sua nacionalidade, religião e aparência carregarão um fardo por um bom tempo.
Como imaginado, vários estrangeiros viram suas vidas devassadas e devastadas pelo FBI e CIA. Aos poucos, o resto do mundo também começou a sentir o peso dos acontecimentos daquele dia.

Março de 2002. Depois de muitos altos e baixos durante a temporada de 1 ano e meio na Bahia, resolvi que era hora de voltar para casa. Tinha que pôr ordem na minha vida e, para fechar aquele ciclo, precisava encontrar, ao menos mais uma vez, com Ibrahem. Viajei para a Califórnia por 1 semana.

POR AÍ...

A jornalista Lubna Hussein, presa junto com outras 13 mulheres após violar a lei de indecência pública ao usar calça fora de sua residência no Sudão, foi levada a julgamento e condenada a pagar uma multa de U$200,00.

O Sudão, um país Muçulmano, é conhecido por suas leis baseadas em uma interpretação muito estrita do Islamismo. Segundo as leis do país,  a quebra da lei sobre decência pública deve ser punida com chibatadas. No momento da prisão, Lubna se recusou a recebê-las, foi, então, presa e, em seguida, julgada.
O juíz poderia, ainda, determinar a mesma punição, mas de acordo com o advogado de Lubna, devido ao fato do caso ter ganhado espaço na mídia internacional, o juíz optou pela multa somente, evitando, assim, possíveis críticas internacionais.

Lubna, emissária da ONU, teoricamente, teria imunidade contra esse tipo de multa. Para atrair ainda mais atenção ao caso, ela decidiu abrir mão de tal imunidade e se recusa a pagar a multa, o que pode significar um mês presa. Ela diz que levará o caso para a Corte Constitucional do Sudão e que aproveitará esse tempo presa para entender e explorar melhor as condições da cadeia. Afirma, também, se for o caso, estar pronta para receber até 40 mil chibatadas, caso isso garanta que tal lei seja abolida no país.

POR AQUI...


O governo de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, acaba de finalizar a doação de U$150 milhões para o Centro Nacional de Medicina para Crianças em Washington, EUA.

O dinheiro será usado para abertura do Instituto Shaikh Zayde, especializado em Inovação Cirúrgica Pediátrica. Serão realizadas pesquisas, buscando entender melhor o sistema de defesa do organismo de crianças, podendo assim, evitar a necessidade de cirurgias, além de testar  novas técnicas para garantir uma precisão cirúrgica melhor.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cenas de vários Capítulos - PARTE II

Os questionamentos não eram em relação ao sentimento, pois essa era a única parte da qual eu tinha absoluta certeza. Eram mais de cunho prático mesmo: começar uma vida a dois tão jovem, longe de minha família e de meus amigos, sem um histórico ou estabilidade na carreira e sem contar que, na minha cabeça, o ideal e perfeito estava atrelado à já mencionada"cartilha": mocinha encontra mocinho, se apaixonam, mocinha conhece família do mocinho, todos se dão bem, filhos virão, almoço de Domingo na casa dos pais, etc...

Qualquer relacionamento requer uma energia tremenda de ambas as partes para funcionar. Eu piamente acredito nisso, incluindo amizades. Agora, imagina um relacionamento com um estrangeiro. A energia precisa ser dobrada por vários motivos, dentre eles o fato de que não há nenhum histórico comum entre vocês. As músicas, lugares e pessoas que marcaram e são referências para gerações no seu país podem representar nada para a outra pessoa, além do aspecto cultural em si. Resumindo: às vezes, a impressão que dá é que você tem que pegar parte do que você viveu e algumas de suas referências e deixar de lado por um tempo. Não ignorar, mas ter paciência para saber a hora de introduzí-las. Impossível fazer tudo de uma só vez, requer tempo e paciência. Independentemente de nacionalidade.

Naquela época, eu não tinha essa tal paciência e achava que o tempo seria melhor aproveitado se focado na minha carreira. Alguns anos depois, não muitos, eu olharia para trás e questionaria se tinha tomado a decisão certa, mas, naquele momento eu segui o que achei melhor para mim.
Ibra voltou ao Estados Unidos, não rompemos, mas não fizemos planos para o futuro. Eu decidi que iria passar um tempo na Bahia, trabalhando na Costa do Sauípe. Foi aí que entrei em um dos períodos mais confusos de minha vida. Profissionalmente, uma experiência incrível. Trabalhamos na abertura de 2 hotéis de uma rede internacional, começamos do zero, o que significava 12 horas mínimas de trabalho, mas que valeram a pena quando as luzes foram finalmente acesas e os hóspedes começaram a chegar.

A Jú também foi, além da Vanessa, amiga dos tempos de Disney. Elas eram a minha referência por lá, mas, mesmo assim, no lado pessoal, as coisas tomaram um rumo ao qual eu parecia não conseguir controlar. A tal da solidão bateu forte e eu, literalmente, deixei a vida me levar.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

POR AÍ...

 FERNANDA YOUNG - @youngporra

Fernanda Young confirmou que vai ser capa da Playboy , provavelmente mês que vem. Até aí, eu e esse blog não temos nada com isso.

Mas, ao ler o ela postou em seu Twitter, eu não resisti. Ela fez uma lista de 10 razões para posar para a Playboy. E a razão n.03 é?!!

3) Em alguns lugares do mundo, mulheres ainda são obrigadas a tampar seus corpos

Qual a relação? Talvez ela pense que esteja mandando uma mensagem para governantes de alguns países. Pensei, imediatamente, na minha sogra, minha cunhada e outras mulheres...todas com cultura, viajadas: como explicar quem é Fernanda Young (?) e o quanto a vida delas vai ser afetada pelo fato da Fernanda Young posar nua para a Playboy?
Certeza que a jornalista condenada à chibatadas por traje indevido no Sudão está enviando "força" para Young, afinal, elas estão lutando pela mesma causa . Se você achou que esta razão não é forte o suficiente, passa no Twitter dela...as outras 9 também são no estilo "sem comentários". Talvez a razão n.10 seja a única com coerência!

POR AQUI...

 METRÔ EM DUBAI

No dia 07 de Setembro, foi inaugurada a linha de metrô em Dubai. Quando estiver funcionando com total capacidade, o projeto, de U$7,6 bilhões, será o maior sistema de metrô automatizado no mundo. Em grande parte do trajeto, não serão necessários maquinistas, já que o controle será feito remotamente.

Haverá cabines destinadas para clientes VIPs que, pagando mais, poderão usufruir de um serviço diferenciado, incluindo assentos de couro. Caso prefiram, mulheres e crianças poderão ter acesso à cabines especialmente destinadas para elas, algumas com estrutura diferenciada para crianças.
Através de um sistema moderno e autônomo, cada estação de metrô terá um sistema individual de ar-condicionado, o que é crucial, considerando que as estações estão localizadas, em sua maioria, ao ar livre e as temperaturas podem chegar à 50 graus Celsius.
Em breve, deverá estar disponível o serviço de acesso à Internet em todo o trajeto. Segundo o projeto, todo o percurso estará funcionando com capacidade total até Fevereiro de 2010.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

SRHAN

Sabe a tão manjada frase "A pessoa certa na hora errada"? Pois é, era mais ou menos isso que eu sentia na época do retorno ao Brasil. O tempo na Disney tinha trazido muitas descobertas e um certo sabor de quero mais. Havia a possibilidade, inclusive de voltar com um contrato novo, mas, por algum motivo aquilo não me fascinava.

O que eu queria era poder viver outras e novas experiências e, de preferência, relacionada à minha carreira de Administração Hoteleira.

Ainda na Disney, eu e algumas amigas, incluindo a Jú, soubemos do projeto de Resort na Costa do Sauípe, na Bahia. Na época, estava tudo começando por lá. Demos uma investigada e decidimos que queríamos tentar algo totalmente diferente e que aquele projeto poderia nos proporcionar.
A grande questão, então, era: ir para os Estados Unidos com o Ibra e pagar para ver ou ir para a Bahia trabalhar na Costa do Sauípe. Para terem uma idéia, eu estava tão sem noção do que decidir que, demorei quase 2 semanas para desfazer as malas quando voltei da Disney. A única coisa que eu sabia é que em São Paulo eu não queria ficar.

Muitos fatores pesaram na minha decisão, principalmente o fato de eu achar que ainda não era hora para viver, literalmente, com alguém. As circunstâncias não eram as que eu almejava naquele momento. Eu sempre achei que o certo era seguir a "cartilha" dos relacionamentos e com o Ibra seria impossível. Ele vivia nos Estados Unidos, mas a família e a história dele estavam na Arábia Saudita. Viver com alguém sem conhecer a fundo o passado? Naquela época, algo inconcebível para mim. Ainda era muito jovem para saber que, na vida, na maioria das vezes, não dá prá viver seguindo nenhuma "cartilha".

domingo, 13 de setembro de 2009

Cenas de vários capítulos - PARTE I

Enquanto eu tinha um contrato de quase 1 ano, o contrato do Ibra era de somente 6 meses, já que ele tinha que voltar para Faculdade. O relacionamento foi ficando mais sério, os meses foram passando e o momento de despedida chegou.

Janeiro de 2000. Ibra retornava para a Califórnia e eu ainda tinha 5 meses de contrato. Não foi uma época muito fácil para mim. Todas as minhas referências na Disney estavam atreladas ao nosso relacionamento e, de repente, me senti muito sozinha. Sabe aqueles momentos aonde podemos estar rodeados de pessoas, mas nos sentimos muito solitários? Eu ainda tive muita sorte, pois não só a Jú, como outras amigas tiveram a paciência de me acolher. Foi como uma re-adaptação.
Combinamos que tentaríamos nos ver de 15 em 15 dias. Eu o visitaria na Califórnia e ele viria a Orlando.

Acho interessante como, no final, vamos nos adaptando à diferentes circunstâncias. Eu desejava que aquilo desse certo, mas achava muito difícil. Achava difícil sobrevivermos àquele período com nós no mesmo páis, somente em Estados diferentes, o que diria quando chegasse a hora de eu retornar ao Brasil.

Eu, em alguns momentos, meti os pés pelas mãos...coisas de gente jovem? Talvez. Porque verdade seja dita, hoje em dia teria agido diferente em várias situações. O relacionamento sobreviveu, com alguns percalços. Inclusive, na formatura do Ibra, em Maio de 2000, eu e mais 5 amigos brasileiros, fomos para a Califórnia e foi ótimo. Alugamos um carro e viajamos por alguns dias. Hoje em dia, ao ver as fotos, fico muito feliz de ver que, apesar de tudo, é mais um momento especial em que conseguimos estar juntos. Quem tem um relacionamento à distância entende bem.

Junho 2000. A boa filha à casa retorna. O contrato chegou ao fim e, somada à ansiedade que sentia em voltar para casa, tinha a expectativa em apresentar o Ibra aos meus pais. Sim, ele viajou comigo. Passou 2 semanas no Brasil.

Nessa época, Ibra começou a insistir muito para que eu fosse passar uma temporada com ele nos Estados Unidos. Insistia que eu conseguiria um emprego por lá e tudo ficaria bem. Obviamente, esta era a opção que, naquele momento, tínhamos para o relacionamento continuar. E, foi, então, que eu comecei a questionar tudo ou quase tudo.

sábado, 12 de setembro de 2009

SRHAN

Depois de morar tantos anos em diferentes lugares, comecei, enfim, a entender que os relacionamentos, de amizade ou afetivos, se intensificam muito rápido quando estamos longe do que consideramos nossas referências de amizade e família. Inevitavelmente, a solidão bate e, vulneráveis, buscamos formas de nos sentirmos mais seguros. É preciso, sim, ter cuidado quando nessas situações, pois, muitas vezes, ali, no momento, tudo é válido e podemos ter a tendência de esquecermos quem somos, nossos valores e nossa história.

Sempre penso na idéia que alguns defendem de que não nascemos para ficarmos sozinhos, o que é bem diferente de precisarmos de momentos de isolamento. Algumas pessoas tem mais necessidade de compania que as outras, mas, no fundo, acho que somos todos meio parecidos. E por compania, enteda-se família, amigos ou parceiros, ou, até mesmo, todos.

Em momentos vulneráveis, os sentimentos podem ser muito traiçoeiros e acabar nos levando a agir impetuosamente e, verdade seja dita, as chances de resultado são, na maioria, catastróficas.

Eu, de alguma maneira, naquela época, tinha receio de estar vivendo isso com o Ibra. Aos 20 anos, não temos aquela experiência para saber discernir muita coisa. O que eu sabia, com certeza, era que chegaria o dia em que nossos contratos terminariam. O que eu já não sabia com muita certeza, era o que seria de nosso relacionamento.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Reino Encantado

Flórida. Walt Disney World. Millennium Village. Um Pavilhão especialmente criado no Epcot Center para comemorar a passagem do Milênio. Pela primeira vez no parque e somente por alguns meses, quase 50 países seriam representados, mostrando um pouco de suas respectivas culturas e histórias.

O Brasil, com apoio da Embratur, tinha uma das maiores áreas dentro do Pavilhão e era localizado logo na entrada. À nossa frente, tínhamos a área da Escócia, ao nosso lado, a Arábia Saudita, seguida pela Suécia e outros países. Mais adiante a área de Israel. Para surpresa de alguns, uma das poucas vezes em que árabes e israelenses dividiram o mesmo espaço sem nenhuma conotação política, religiosa ou de conflito.

Nossa chegada por lá foi ótima. Morávamos todos em um condomínio especialmente criado para funcionários da Disney, ou seja, o convívio com todos chegava a ser ininterrupto. Difícil explicar o impacto que esses meses por lá tiveram na minha vida. Éramos 4 dividindo o apartamento: minha roommate japonesa que cozinhava arroz para uma refeição completa no café da manhã. Orit, isralenese, que me fascinava com estórias sobre o período que passou no exército (não sei se todos sabem, mas em Israel, antes de começar a faculdade, homens e mulheres passam um tempo servindo o exército) e Tuna , norueguesa, que trazia um pouco da disciplina e organização dos países nórdicos.

Éramos, considerando todos os países, quase 200 pessoas. Ficamos mais de um mês em treinamento. E, foi nesse período que conheci Ibrahem. Em uma fila, trocamos algumas palavras, mas fomos ficar juntos, pela primeira vez, 2 semanas depois. No último dia 07 de Setembro, completaram-se 10 anos! Até chegarmos aqui foram muitas idas e vindas, muitas incertezas, muitas certezas, encontros, desencontros, enfim, o pacote completo.

Naquela época, Ibra ainda cursava Engenharia em uma Universidade na Califórnia. Morava nos EUA já há algum tempo, perto de San Francisco. Para nós dois e todos que estavam ali, era algo temporário. Acho que, tanto eu quanto ele, não começamos o relacionamento com muitas expectativas. Inicialmente, o fato de ele ser saudita não interferiu em nada. Álias, sinceramente, eu nem sabia muito sobre essa cultura.

Aos poucos, comecei a sentir que não seria tão fácil assim dizer "tchau, prazer em conhecer". Ao mesmo tempo, eu sabia muito pouco sobre como o "pequeno" detalhe da nacionalidade dele poderia ser, na realidade, o grande desafio desse relacionamento.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Decisões de Hoje e o Amanhã

Março 1999. Uma Terça-feira. Eu e Jú conversávamos. Paulo, com seu entusiasmo de sempre, juntou-se à nós para contar sobre o processo seletivo da Walt Disney no Brasil. Estava super ansioso. Era um projeto para comemorar a virada do Milênio. Segundo Paulo, algo inusitado e especial. Ele insistiu muito para que fôssemos, ao menos, dar uma passada no local do processo seletivo.

Apesar do processo estar acontecendo em um hotel, bem próximo daonde trabalhávamos, teríamos somente o horário da refeição para passar por lá e, naquele dia, por algum motivo, precisava comprar um sapato, portanto, provavelmente, não teríamos tempo para passar pelo local. Era uma tarde chuvosa, bem típica da Terra da Garoa. Para nossa surpresa, encontramos logo o que eu procurava. A garoa aumentava e incomodava. Chegamos em uma esquina, na Alameda Santos: à esquerda, íamos de volta ao trabalho, à direita, íamos de encontro ao nosso futuro. E assim foi. Decidimos ver do que se tratava esse projeto da Disney.

As entrevistas só aconteciam com pessoas que já tinham passado pelo processo de seleção de currículo. Nós nem currículo tínhamos conosco. Quando chegamos na área das Salas de Reunião, aonde deveriam estar os funcionários da Disney, todas as portas fechadas, ninguém por ali. Já estávamos saindo quando uma senhora muito simpática, americana, apareceu.

Descobrimos, então, que o processo seletivo terminaria naquela tarde. Mesmo assim, ela se ofereceu a mostrar um pouco mais sobre o projeto. Eu e Jú decidimos que tínhamos, ao menos, que ter uma oportunidade de participar. Seria uma experiência única. Insistimos e ela aceitou abrir uma exceção: nos veria no dia seguinte...teríamos 30 minutos de seu tempo. Como combinado, lá estávamos eu e Jú. A entrevista transcorreu bem, mas teríamos que esperar ainda um mês para ter a resposta final.

Em Agosto, finalmente, embarcamos junto com um grupo de quase 30 brasileiros para o projeto Millennium Village - Walt Disney. Hoje, quando olho para trás, penso em como a decisão que tomamos naquele minuto, de maneira impetuosa, foi crucial para que minha vida tomasse o rumo que tomou.

sábado, 5 de setembro de 2009

SRHAN

Nunca tive receio de mudanças, então, não foi difícil pensar nos 3 pedidos que faria para 2004. Depois de uma temporada nos Estados Unidos, quase 2 anos na Bahia, sentia que estava na hora de alçar vôos novamente.

Para muitos, a decisão tomada em 2004 foi recheada de romance e só. Por um lado, não posso negar, afinal, qual de nós não filosofou sobre as já manjadas questões de "Todos vivem um grande amor?", "Como sabemos ser um grande amor?". Ao menos, uma vez que seja, já divagamos sobre isso, principalmente quando encontramos a pessoa que acreditamos ser a tal. Para mim não era só isso. Ia muito além. O que já adianto é que, romantismos à parte, a principal questão para mim era: "Uma vez que fazemos uma mudança tão grande, se não der certo, tem volta?". Sim, porque ninguém vive só de amor e romance...

Aquela velha verdade: o Universo faz com que estejamos sempre escolhendo, optando, tomando uma decisão. Muitas vezes, o resultado é imperceptível para nós mesmos, mas, em 2004, as mudanças foram sentidas em todos os aspectos de minha vida.
Entrei em uma realidade tão diferente e tão única que, após 2 anos e meio em Dubai, eu senti que estava pronta para tomar a decisão que traria mais uma grande guinada na minha vida.

Naturalmente, essa nova etapa estava apenas começando. E surpresas virião – nem sempre fáceis, nem sempre agradáveis, mas, sem dúvida, intensas! E, com as surpresas vieram, aliás, continuam vindo, um amadurecimento, descobertas, questionamentos e muito aprendizado. Até aqui uma jornada e tanto!

ps: Para quem tenha interesse - Simpatia do Louro: 3 folhas de Louro, escreva 3 desejos um pedaço de papel, enrole as folhas (no papel) e guarde sempre próximo de você.
Só cuidado em aeroportos caso você decida manter em sua carteira...mas isso é assunto para um outro Post!
 
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