Depois de umas belas horas na Delegacia, F. foi formalmente acusada de ter pegado o dinheiro. Ela chorava copiosamente e negava. O lance é que em Dubai e nos Países do Golfo, qualquer delito é considerado muito sério. O sistema judiciário varia de país para país e eu não estou ainda muito por dentro dos detalhes. Já li muita gente reclamando que o sistema não é nada justo (principalmente estrangeiros que cometem delitos que não cometeriam em seus países de origem e recebem condenações mais pesadas por aqui. Já ouvi muita gente dizer que a defesa da pessoa tem um peso irrisório no processo) e também já escutei que, pelo fato de uma condenação ser levada bem a sério, o número de delitos é relativamente baixo.
O que sei é que F. teve a opção de fazer algumas ligações e poderia ter chamado um advogado. Ela decidiu ligar para um amigo e acabou aceitando e assinando o termo de culpa. Roubar é considerado um crime sério por aqui. Se o Hotel quisesse, F. poderia amargar um belo tempo na cadeia em Dubai, mas foi decidido que o melhor seria demití-la e deportá-la para o Marrocos.
Quando algo assim acontece, a pessoa tem de 2 a 3 dias para organizar sua vida para a viagem de volta ao seu páis e, dependendo das acusações, não poderá retornar por até 6 meses ao Emirado. Alguns são banidos totalmente. No caso de F., como de muitos outros, a empresa tinha posse de seu passaporte (exatamente para garantir um controle sobre o ir e vir das pessoas). O passaporte dela só seria devolvido na área de embarque do aeroporto, não deixando dúvidas de que ela embarcaria.
A vida dela virou de pernas para o ar em questões de horas. Eu sentia pelo fato de saber o quão difícil era a vida da maioria de nossos funcionários. Voltamos ao hotel lá pela meia-noite. Já era hora da boa camarada brasileira se despedir. De normal, aquele dia teve nada.
Agora que a vida dá voltas e surpreende, não há duvidas. Recebi um telefonema de F. mais de 1 mês depois daquele ocorrido e o final ainda iria me surpreender...e muito!
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
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