Outra coisinha que você também vai aprender é que os países espalhados pelo mundo são bem diferentes em muitos aspectos, incluindo o quão desenvolvidos eles são naquela tal de tecnologia. Com isso, muitas vezes, o que é possível em um lugar, é impossível em outro.
Às 5 horas da tarde do dia 09, você começou, decididamente, a querer dar o ar da graça. Levaram, então, mamãe para um quarto bem tranquilo para que eu e você descansássemos. Ficaríamos ali até você ter toda a energia necessária para sair daquele mar de água que foi sua casinha por 9 meses.
Tudo ía bem, mas papai ainda não estava por ali. Mamãe conversava com você e explicava que tínhamos que esperar por ele. O que era para serem momentos relaxantes, tornaram-se momentos intermináveis de espera. Papai já não respondia às mensagens que mamãe enviava (sim, porque ele não só recebia as mensagens, como as respondia). Quando o avião em que papai estava entrou em ares brasileiros, a tal da tecnologia já não funcionava tão bem assim.
E, ainda por cima, toda vez que você ameaçava chegar, mamãe sentia dores. Algumas bem fortes. Entre uma dor e outra, entre moças que iam e vinham ver se estava tudo bem, entre conversas com a vovó que nos fazia compania, mamãe segurava firme o aparelhinho que permitia nossa comunicação com papai – o celular. Não exatamente o "normal" nessas horas.
Bolamos, então, um esqueminha para que papai chegasse bem rápido aonde nós estávamos. Um outro moço (também não tão moço assim!) pegaria papai no aeroporto (lugar aonde chegam todos os aviões) e traria papai ao nosso encontro. Você querendo apressar o tempo e mamãe querendo que ele parasse por algumas horinhas.
Era uma Sexta-feira. Chovia forte. Estávamos em São Paulo. Eram 7 horas da noite.
Um dia, também, você vai aprender o que significa o parágrafo aí de cima. Por agora, mamãe te avisa que um dos sinônimos é caos! Mesmo sem resposta, mamãe enviou mais uma mensagem ao papai. Bolamos o esqueminha e tínhamos que avísa-lo. Sim, porque até ali, ele não tinha idéia do que acontecia.
E na espera ficamos, por algumas boas horas. Até que apai se juntou à nós. Finalmente! À partir daquele momento, estávamos prontos para recebê-lo. E muito ansiosos! Não sei o que foi, mas dali em diante, você resolveu se acalmar.
Às 01:52 da manhã do dia 10 de Outubro, você chegou!
Mamãe, toda sentimental que é, claro que chorou. Um choro de felicidade e alívio. E papai te segurou por alguns minutos. E mamãe sentiu o o calor de seu corpo e, piegas que possa parecer, já sabia que a vida dela seria muito diferente dali em diante.
sábado, 10 de outubro de 2009
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