quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Simples assim?


O Z. é de Bangladesh, chegou aqui há um tempo. Foi motorista da minha sogra por alguns meses (cobrindo as férias do motorista dela) e, por insistência da sogra mesmo, acabou aqui em casa.

O que a necessidade não faz!

E as minhas dificuldades em se adaptar à situação são diversas. Vão desde ele ser um estranho que acompanha minha vida com uma intimidade que eu daria a poucos, até pensar em como a vida dele deve ser difícil. Fico pensando que ele está aqui não por opção, mas necessidade pura e deve odiar o que ele faz. Que deve ser um saco ficar parado em algum lugar esperando a "madam" aparecer e dar as coordenadas do dia.

Estou tendo até que aprender como que a coisa funciona. Aqui é assim: ele vem com um visto de trabalho e a família se torna responsável por ele. Oferecer acomodação faz parte do pacote, então, assim como uma assistente do lar (estou testando a variedade que existe para o termo), o motorista mora na mesma casa dos patrões, o que significa 24 horas à disposição da "madam". No começo, quando cheguei, custava a entender tal lógica. A explicação de todos é que, ele "é a patroa" por trás do volante, portante, se ela precisar ou quiser ir aqui ou ali à qualquer hora, ele é a pessoa responsável por fazer acontecer. No nosso caso, ele mora 10 minutos daqui...o que eu acho ótimo. Gente estranha 24 horas do dia ao redor não é comigo.

O primeiro dia do Z, ontem, começou já confuso. O marido avisou que ele precisava me levar ao dentista, então deveria estar por aqui às 7:00 da noite (não se espante, aqui as consultas de médico, dentista, o que for, pode acontecer até umas 10 da noite...). Às 6:30 da manhã do dia seguinte, toca o celular do marido e adivinha? Z. avisava que, provavelmente, chegaria um pouco tarde ao nosso encontro. Não preciso dizer que ele se confundiu e acordou a casa toda, incluindo o baby. Pensei comigo: começamos bem!

Hoje foi a primeira vez com ele à disposição para ir e vir o dia todo. Muito bom! É uma sensação de liberdade, por mais que, de alguma maneira, vigiada. Não estou reclamando não. Só tentando expressar aqui o quanto o negócio pode não ser tão simples como parece.
Por exemplo: fui ao shopping e Z? Teoricamente, teria que ficar do lado de fora esperando...esperando o tempo que fosse. Eu me sinto esquisita com isso. Fico pensando nele do lado de fora à mercê de minhas vontades e não acho isso muito normal.
O que eu fiz? Falei para ele: vai para casa, descansa e só volta daqui 2 horas. Ele mesmo se espantou: descansa?!!! E eu não tinha certeza se eu iria durar 2 horas dentro do mall, mas, a partir dali, teria que durar. Me adaptei ao motorista e não o contrário!
Segundo as cartilhas de patroas e patrões, isso é um no, no, no... devendo acontecer só de vez em quando e não na primeira vez que o trabalho é feito. Dizem os especialistas que "pode acostumar mal".

Conversando com uma amiga brasileira hoje, levantamos as seguintes hipóteses:
A) Definitivamente não nasci para ser madame
B) Algo relacionado à nossa nacionalidade...sei lá, brasileiro sempre dá um toque pessoal e sentimental em quase todo tipo de relacionamento, incluindo de trabalho
C) Realmente não gosto de gente estranha invadindo meu espaço
D) Nenhuma das opções acima.

Ou...fato é, provavelmente,  que sou mesmo uma estranha em uma terra estranha!

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