Como sabemos, em Dubai os contrastes convivem pacificamente. É extremamente normal ver mulheres com abaya e rosto e olhos cobertos e mulheres vestindo shortinhos e vestidinhos caminhando lado a lado. Ingenuamente, eu achei que estava preparada para ver aqueles pontinhos pretos (no início, eu brincava com Ibra que as mulheres com suas abayas, à distância, pareciam pontinhos), mas leva-se um certo tempo para se acostumar em vê-las assim. Aliás, tem gente que não se acostuma nunca.
Nas primeiras vezes que atendi hóspedes mulheres com o rosto coberto, a sensação foi estranha. Já foi comprovado que muito da nossa comunicação é feita através de olhares e expressões faciais. Então, imaginem o que é interagir com alguém que, de maneira simplista, podemos dizer, "não possui um rosto".
E como tudo na vida, depois de um tempo se tornou comum para mim. Mesmo assim, algumas vezes, ainda me surpreendo. Aos poucos, fui aprendendo que a idéia de que todas as mulheres por aqui são oprimidas e forçadas a se comportar de uma certa maneira não corresponde com a realidade. Claro que há problemas, mas estórias tristes e problemáticas existem em qualquer sociedade.
A ignorância que temos sobre a cultura e hábitos dessa região e a mania que a maioria de nós tem de acreditar que o nosso modelo de vida é o único correto, nos leva à conclusões bem erradas. Devo dizer, também, que os muitos livros que existem por aí sobre a situação da mulher e o Islamismo não ajudam. A impressão que dá é que encontrou-se uma maneira de garantir vendagem de livro, então, o tema é explorado aleatoriamente. O engraçado é que as mulheres que se cobrem por vontade própria nunca são mencionadas. Sim, porque elas existem. Um absurdo para uma maioria...mas, vale lembrar que para muitos, também, um absurdo a nudez que se vê no carnaval. Tudo, como sempre, uma questão de cultura.
Em todos os países do Golfo, a interação entre "locais" e estrangeiros é limitada. Pode acontecer no trabalho, em alguma balada, mas, normalmente, não passa disso. E é aí que entra um lado vivenciado por poucos.
Em Dubai eu era uma estrangeira. Aqui na Arábia, sou a esposa de um saudita, além de brasileira. Pertenço a "dois mundos" que são bem distintos...ou não!
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário