Acho que se eu pensar sobre as circunstâncias mais inusitadas que já passei, sem sombra de dúvidas, Dubai e Arábia Saudita virão à minha mente. Como falei aqui antes, a mudança para Dubai, ao meu ver, me daria uma experiência profissional única. Na realidade, "ganhei" bem mais que isso.
O Diretor direto da nossa área era um Indiano, meu chefe logo que cheguei por lá era um Inglês e a pessoa que dividia o mesmo cargo que eu era um Austríaco. Gerenciávamos cerca de 120 pessoas, com nacionalidades vindas de todos os continentes.
O primeiro grande choque não foi muito relacionado com nacionalidade em si, mas com a famosa "guerra dos sexos". Quer dizer, não era bem isso, já que eu nunca segui essa linha. Sempre levei meu trabalho bem a sério e as coisas, felizmente, sempre aconteceram naturalmente, mas ali, me vi rodeada por egos e uma insegurança masculina difícil de descrever.
É comum vermos várias matérias dizendo que mulheres são mais inseguras, que as mulheres tentam a todo custo equiparar-se aos homens e provar que podem tanto quanto e, muitas vezes, fazem uso de artifícios questionáveis. Ao mesmo tempo, é raro lermos que os homens também têm suas inseguranças e se sentem ameaçados e, claro, reagem de acordo.
Pois bem...ali eu estava, literalmente, rodeada por homens bem inseguros, então, meu primeiro mês por lá não foi tão "colorido" como eu gostaria. E é em situações de crise desse tipo que temos que usar grande parte de nossa habilidade social. Uma coisa é lidarmos com um grupo que tenha um histórico e cultura similares e que conheçamos bem. Outra coisa é ter que conhecer uma pessoa no trabalho, de uma nacionalidade diferente e com uma cultura bem distinta da sua.
Estereótipos à parte. Conseguem imaginar como foi a adaptação de convicência entre eu, brasileira e um austríaco? Ainda por cima dividindo a mesma posição gerencial? Sim, porque isso conta e muito! Hoje somos grandes amigos e, depois que o choque inicial passou, nos tornamos grandes companheiros de trabalho, bem unidos mesmo, mas para chegar lá, eu dei o primeiro passo. Um dia, o chamei para conversar e expus claramente o que pensava, o que achava da atitude dele e de alguns outros e como eu achava que deveríamos seguir dali em diante. E surtiu efeito! Sem nada do tal sentimentalismo que dizem que as mulheres têm toda hora, sem nada do tal sentimentalismo que é comum entre nós brasileiros. Agi como um austríaco agiria e, acho que a partir dali, deixei de ser uma estranha no ninho. Pois é, as pessoas se identificam umas com as outras por diferentes motivos. Acho que foi o que aconteceu naquela hora.
O austríaco realmente se mostrou uma pessoa boníssima, mas, como esperado, sempre austero, principalmente com os funcionários. E não falo isso de uma maneira negativa não. Acho que ali, nós dois nos completávamos de alguma forma. O único lance é que pedidos e problemas de funcionários, invariavelmente, terminavam com a pessoa que aqui escreve. E o agravante principal é que as pessoas que estão em Dubai, em sua maioria, estão sozinhas, sem família alguma por perto e os amigos são todos do trabalho. Somos mais que gerentes - representamos, muitas vezes, uma idéia de proteção e companheirismo. Inevitável!
Por causa disso, já passei madrugada em delegacia de Dubai com funcionária (marroquina), fiquei, durante 1 semana, visitando funcionário com meningite em hospital (egípcio), extendi férias para funcionário que casou escondido no país de origem (indiano)...enfim, estórias que não deixariam nada à desejar para as tramas de Glória Perez.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário