Mulher não dirige na Arábia Saudita. E você vai perguntar o motivo. Algumas pessoas dizem que mulher não pode dirigir na Arábia, mas, na realidade, não há lei que impeça-as de dirigir, o que não há é uma maneira de se conseguir uma carta de motorista para mulheres, o que, no final das contas, significa, mais ou menos, a mesma coisa, não?!
Alguns ainda podem perguntar: "Mas e as mulheres que possuem carta de motorista de outros países, ou até mesmo, a internacional"? Bom, não há validade alguma por aqui. A última vez que mulheres foram às ruas conduzindo seus carros foi durante a Primeira Guerra do Golfo, em 1991 e...foram presas.Tenho que abrir um pequeno parênteses aqui: existe um número considerável de mulheres que sabem dirigir, basicamente às que já moraram em outros páises.
As coisas já mudaram muito desde 1991, o país, aos poucos, vai dando passos para mudanças necessárias e importantes. Hoje em dia não está muito claro o que aconteceria se a cena de 1991 se repetisse. O governo, através da mídia, diz que não há proibição alguma, então, ficamos todas à espera de algumas mulheres de fibra e coragem para se aventurarem e "ver no que vai dar", porque para tudo há sempre pioneiras.
Enquanto isso, a locomoção das mulheres é feita pelos maridos e, principalmente, motoristas. Homens vindos da Índia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas são os preferidos para conduzir os carros por aí. Eles vêm sem a família, trabalham longas horas, mas conseguem ganhar um dinheiro que é praticamente impossível em suas terras natais. Através desse trabalho, sustentam esposa e filhos no país de origem.
Muitos ficam até 2 anos sem ir para "casa". Uma realidade comum nos países do Golfo (não como motoristas, já que somente na Arábia mulheres não dirigem, mas como trabalhadores braçais, na construção civil). Um pouco como uma grande maioria dos brasileiros que tentam a sorte nos Estados Unidos.
O transporte público aqui é praticamente inexistente, então, as opções ficam um pouco limitadas. Há táxis por todos os lados, mas, dependendo daonde se vai, o valor da corrida faz você pensar 2 vezes se vale a pena.
Eu aguentei firme por 2 anos e meio. Apesar de me sentir muitas vezes limitada, dependente dos outros, sempre relutei em ter um estranho me levando para cima e para baixo. Desde os meus 18 anos que prezo minha liberdade de ir e vir, sem depender de ninguém e, de repente...cá estou! Até o ato de comprar um ovo na esquina pode demandar uma certa lógica... porque andar a pé aqui pode ser nada agradável, já que o calor chega a uns 50 graus, então, por mais que queiramos evitar, faz-se necessário ter uma locomoção motorizada à disposição.
Pois bem, aguentei firme até..ontem! Algo que é bem simples, se tornou, por algum motivo, complicado para mim. Eu já suspeitva que teria que me adaptar à situação, mas achei que seria mais corriqueiro. Eu sei que este é o menor dos problemas de uma pessoa e é por isso mesmo que fico me perguntando o motivo de eu estar tendo uma certa dificuldade, afinal, dizem ser fácil ter alguém à disposição a qualquer momento.
Estou começando a achar que o problema é comigo...
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
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